Sistemas multiórbita e definidos por software são o futuro do mercado de satélite

Sistema LEO da Eutelsat. Foto: Divulgação

O preço de terminais ainda é desafio para as novas tecnologias órbita baixa (LEO), mas as sinergias possíveis com a combinação com sistemas de órbita alta (GEO) e média (MEO) e as possibilidades de redes definidas por software (SDN) são grandes tendências para o mercado. Essa estratégia foi vislumbrada por executivos da Intelsat, Eutelsat, SES e ABS nesta terça-feira, 31, durante o painel de abertura do Congresso Latinoamericano de Satélites. 

É uma questão de fazer sentido financeiramente. As constelações LEO têm como características serem superpovoadas, demandando grandes investimentos e escala global. Contudo, as arquiteturas do GEO e do MEO continuam sendo realidades mais factíveis, inclusive para diferentes aplicações. 

A vice-presidente de inovações de sistemas na Intelsat, Carmel Ortiz, explica que as redes atuais ainda funcionam como silos, com fragmentação de frotas de satélite, tecnologias, redes e provedores. Para quebrar esse isolamento e transformar uma rede única, a companhia tem uma estratégia multicamadas, que inclui a combinação de órbitas e mesmo de sistemas de altitudes elevadas na atmosfera (HAPS). 

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O sistema multiórbita, com sinergias naturais entre LEO e GEO, além de fornecimento direto de 5G pelo padrão de redes não terrestres (NTN) atualmente em discussão no 3GPP para o Release 17, é também uma avenida a se seguir. Nos sistemas terrestres, com o core de rede 5G, integração com nuvens públicas e privadas, plataformas de OSS/BSS e orquestração de rede são citadas pela executiva. Outra forma é o SDN, considerada uma das tecnologias chaves para o processo. Ela explica que isso elimina o hardware específico, reduzindo tempo para a configuração de terminais, e tornar a tecnologia mais integrada. 

CEO substituto da Eutelsat, Michel Azibert diz que "a aposta em LEO com a OneWeb é [visto de forma] mais complementar, um segundo passo após a banda larga em GEO". No entanto, em longo prazo, ele considera que a órbita baixa será "o nome do jogo", por conta da combinação de conectividade ubíqua e baixa latência. O custo dos terminais é o que coloca essa questão ainda em indefinição, mas que será resolvida quando for possível combinar o custo com o throughput gigabit.

Carmel Ortiz, da Intelsat, diz que as constelações LEO ainda têm esse desafio de fazer a conta fechar. "A tecnologia de terminal é absolutamente um desafio, ainda está em desenvolvimento e precisará ter multiórbita e multibanda com preço adequado", declara. Mas a abordagem multicamadas é a tônica da estratégia. "Precisamos ter todas as órbitas em nossa caixa de ferramentas, é a base daqui para frente."

Tempo de lançamento

Nem todos têm o poder de fogo para bancar um sistema de várias órbitas, contudo. Nesse segmento mais tradicional de órbitas GEO é onde se encaixa a norte-americana ABS. Nick Chilelli, vice-presidente sênior do segmento espacial da companhia, explica que o objetivo é trabalhar em novas tecnologias para reduzir o tamanho dos satélites, permitindo baratear os lançamentos com janelas mais curtas, com cargas secundárias. 

O executivo disse que ainda há espaço para o mercado tradicional, uma vez que ainda há um legado que se torna uma barreira para cargas totalmente digitais, formadas por feixes interligados. "Não vemos ainda o payload multibeam, e alguns desses não são ideais para radiodifusão".

A SES concorda que a flexibilização na rapidez em colocar os satélites em órbita tem sido fundamental. A companhia, que terá até o final do ano lançado os primeiros artefatos do sistema MEO da O3b mPower, além do sistema GEO com carga totalmente digital do SES-17, que cobrirá o Brasil. O vice-presidente sênior de satélites na SES, Neliton Vasconcelos, comentou que agora trabalha com fabricantes para a criação de um padrão de satélite para linha de produção, sem a personalização de hardware específico para empresas ou para missão. Isso permite a redução da janela de lançamento de cerca de 40 meses para entre 12 a 18 meses. Também há o aspecto modular, que permite que o aparelho seja encaixado com outros fornecedores. 

O Congresso Latinoamericano de Satélites, organizado por TELETIME e Glasberg Comunicações, continua ao longo desta terça-feira e vai até a quinta-feira, 2 de setembro. 

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