AET põe em dúvida investimentos anunciados pela Telefônica

A Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) voltou a pôr em dúvida as informações divulgadas pela Telefônica com relação aos investimentos em sua rede em São Paulo. Depois de divulgar dados que mostrariam problemas de arquitetura na infraestrutura da companhia que explicariam os sucessivos problemas em São Paulo – a empresa continua negando que haja falha sistêmica -, o presidente da AET, Ruy Bottesi agora coloca em xeque os aportes financeiros anunciados pela companhia para reforçar sua oferta de serviços.
Em carta encaminhada ao presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), deputado Eduardo Gomes (PSDB/TO), Bottesi levanta suspeitas sobre a real aplicação de R$ 2,4 bilhões pela Telefônica neste ano, sendo R$ 750 milhões voltados apenas para a rede de dados. "Não estamos conseguindo identificar, junto aos tradicionais fornecedores de equipamentos e soluções, com ponto de presença no Brasil, a realização de contratações para a ampliação e modernização da planta de telecomunicações, em 2008 e 2009, especificamente na telefonia fixa", declara o presidente da AET na carta. A Telefônica teria investido R$ 2 bilhões no ano passado.
A associação pede à comissão que questione a empresa sobre os investimentos e garanta a divulgação dos contratos firmados com todos os fornecedores "de forma transparente, de modo a validar as declarações divulgadas na imprensa". Mas a AET não está incomodada apenas com os anúncios dos investimentos.

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Em outra carta encaminhada na semana passada ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, a associação mostrou-se bastante preocupada com os critérios usados pela Anatel para liberar a venda do Speedy, depois de quase três meses de suspensão cautelar. O engenheiro criticou o fato de a agência reguladora não ter apresentado dados concretos confirmando a melhoria da rede da Telefônica com a implantação do plano antipane exigido pela autarquia.
"Entendemos que a liberação da retomada das vendas do Speedy por parte da Anatel foi precipitada, de natureza mais política do que técnica", protesta o presidente da AET na carta ao ministro. Para Bottesi, questões importantes para os consumidores continuam sem resposta como a questão do ressarcimento pelos danos causados com as falhas ocorridas no Speedy entre 2008 e 2009 e a garantia de recebimento da velocidade real contratada junto à operadora. Pelas regras da Anatel, as empresas precisam garantir apenas a oferta de 10% da velocidade contratada. Questões de ordem técnica também fazem com que a AET defenda que a liberação foi precipitada.

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