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TELETIME em destaque – Como o OpenRAN pode mudar o mercado

Nesta edição especial do Podcast TELETIME, analisamos em detalhes o cenário das telecomunicações com a arquitetura tecnológica OpenRAN. Com a visão de executivos da Vivo, Claro, Facebook/TIP, CPQD, Commscope, Dell, NEC e da Anatel, esta edição especial reflete sobre as mudanças potenciais para o mercado de telecomunicações, as vantagens, as desvantagens, os principais desafios e as perspectivas reais de desenvolvimento desta que promete ser uma das grandes inovações tecnológicas no cenário do 5G.

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Um dos temas mais comentados, mas ainda pouco compreendidos sobre a evolução das redes móveis de telecomunicações é o chamado OpenRAN.

O Open RAN é uma arquitetura tecnológica, uma espécie de normatização sobre como diferentes componentes de uma rede devem se encaixar para formar uma rede completa. Nesse caso, especificamente, a Rede de Acesso por Rádio, ou Radio Access Network, de onde vem a siglaRAN

Mas, mais do que isso, o OpenRAN é promessa é de uma transformação tecnológica tão profunda que será capaz de abrir espaço para uma diversificação de fornecedores e surgimento de empresas inovadoras que mudarão a nossa percepção do que significa uma rede de telecomunicações.

Essas transformações, na verdade, são inerentes ao próprio 5G, e o OpenRAN é visto como um elemento catalisador dessas mudanças, porque torna o cenário das redes de telecomunicações um ambiente potencialmente tão inovador quanto foi, por exemplo, ambiente da Internet em relação aos aplicativos.

Essa revolução no software se deu quando os ambientes das páginas HTML surgiram em 1994 e, posteriormente, quanto a Internet chegou aos smartphones na forma de aplicativos na primeira década dos anos 2000. Havia ali um ambiente em que qualquer um podia escrever um software que poderia ser executado por qualquer computador. O mesmo passou a acontecer com smartphones conectados. E hoje, uma infinidade de aplicações, seja em entretenimento, transporte, logística, varejo, mercado financeiro, viagens etc agregam um valor imenso ao que chamamos de conectividade.

No passado, quando pensávamos nas redes de telecomunicações, a nossa percepção de conectividade estava atrelada a conseguir ou não fazer uma chamada de voz, e havia apenas uma empresa responsável por isso: a operadora de telefonia.

Hoje, quando pensamos na rede de telecomunicações, a nossa associação imediata é a percepção de estar ou não estar online, se tenho ou não tenho Internet. A conectividade ainda é responsabilidade das operadoras de telecomunicações, mas o que dá valor a ela é esse amplo ecossistema de aplicações.

E são estas aplicações que, no futuro, dão sentido à própria rede. A conectividade estará intimamente associada ao serviço que estamos utilizando, assumindo atributos próprios e que adicionam valor ao uso. Não bastará estar conectado, mas estar conectado uma rede com desempenho otimizado para serviços de streaming ou jogos, ou a uma rede desenhada para garantir a qualidade de videochamadas e aplicações de produtividade, ou a uma rede dedicada a serviços de saúde, aplicações rurais ou veículos autônomos.

O 5G é parte fundamental nessa mudança de paradigma porque foi a primeira tecnologia de telecomunicações pensada desde o início para funcionar a partir dessa lógica, em que o serviço determina a rede, e não o contrário.

Mas falta ainda um elemento: de onde virá a inovação? E a resposta está na diversificação necessária do ecossistema de desenvolvedores de tecnologias que hoje compõem a rede.

Hoje, uma rede de telecomunicações é algo tão complexo para funcionar que o domínio completo de todos os elementos é algo restrito a poucos fornecedores.

Custos e desenvolvimento e pesquisa extremamente elevados, atrelados a um mercado específico, fizeram que ao longo de décadas a cadeia de fornecedores de telecomunicações se reduzisse a três grandes empresas principais, e algumas atuando em partes específicas da rede. 

A arquitetura OpenRAN surge justamente para endereçar essa questão.

O conceito não é novo. O movimento de padronização começou em 2018 mas que tem como base um movimento de desagregação entre software e hardware que é bem conhecido no mercado de TI. 

E no caso do OpenRAN é exatamente isso: trata-se de uma desagregação entre software e hardware nos diferentes equipamentos que hoje compõem as redes de acesso por móveis, especialmente na camada RAN, que é a parte de rádio das redes. Lembrando que além desta camada, as redes móveis ainda têm uma parte de transporte (como o backhaul, que é a rede que conecta as estações radiobase) e o core, que é a camada de controle da rede. O que o OpenRAN propõe é que que vários fornecedores de software trabalhem com vários fornecedores de equipamentos de maneira transparente.

Esse princípio da desagregação é fundamental, como explica Alberto Paradisi, diretor de estratégia do CPQD, nesta entrevista dada a TELETIME ainda no ano passado para o evento Encontro de Cooperação e Políticas de Conectividade, realizado em parceria com o Facebook Connectivity:

(ÁUDIO ALBERTO PARADISI)

Mas e o que muda no papel de uma operadora de telecomunicações? Por que adotar uma solução OpenRAN não é algo tão simples? A razão é simples. Ao delegarem para as grandes empresas fornecedoras o desenvolvimento e o papel de integradores da tecnologia, as operadoras não tinham mais que se preocupar com a tecnologia que iam utilizar, mas isso muda no contexto de tecnologias OpenRAN, abrindo novas possibilidades para as empresas. É o que explicou Átila Branco, diretor de planejamento de rede da Vivo, durante o TELETIME Tec, realizado na última semana. 

(ÁUDIO ÁTILA BRANCO)

Mas não só as operadoras que sentem os impactos desse processo de migração das redes de acesso móveis para uma arquitetura aberta. Toda a cadeia de fornecedores, também se beneficia do processo, como explica Giovani Siqueira. Ele é head de tecnologias para o Telecom Infra Project do Facebook. O TIP, como é chamado  o projeto, conta com a participação de operadoras de telecomunicações, empresas de internet e muitas empresas de tecnologia.

(ÁUDIO GIOVANI SIQUEIRA)

O que o OpenRAN cria também uma multiplicidade de escolhas de fornecedores mas também proporciona a possibilidade de redução na quantidade de equipamentos na rede, com o processo de virtualização, que é inerente à arquitetura. É o que explica Gerson Freire, diretor de arquitetura para enterprise da Dell.

(ÁUDIO GERSON FREIRE)

O desenvolvimento da tecnologia OpenRAN é tão relevante para o cenário do 5G que, ao mesmo tempo em que definiu o edital que vai abrir as diferentes faixas de frequência, a Anatel montou um grupo de trabalho que deve, ao longo de dois anos, estudar o tema do OpenRAN para, possivelmente, propor linhas de ação na esfera regulatória, certificação de equipamentos e políticas públicas. Quem explica o trabalho do grupo é Vinícius Caram, superintendente de outorgas e recursos à prestação da Anatel.

(ÁUDIO VINÍCIUS CARAM)

Mas esse esforço de desenvolver o OpenRAN não significa que a Anatel esteja incomodada com a forma como as tecnologias móveis estão organizadas, principalmente em torno dos players tradicionais.

(ÁUDIO VINÍCIUS CARAM)

Um outro aspecto importante da evolução do OpenRAN, segundo os especialistas, é o ganho de conhecimento e expertise que se passa a criar no país e a capacitação da mão de obra local no desenvolvimento destas aplicações, como explica Hugo Ramos, CTO da Commscope para a América Latina.

(ÁUDIO HUGO RAMOS)

Agora, o OpenRAN já está pronto para fazer sua estreia nas redes brasileiras com o 5G. Na visão das operadoras, talvez ainda seja um pouco cedo, e o caminho deve vir em mercados de nicho num primeiro momento. Ouçam o que diz Átila Branco

(ÁUDIO ÁTILA BRANCO)

A visão de alguns fornecedores que por muitos anos ficaram fora do mercado de redes móveis e querem retomar essa atuação também passa por um mercado de nichos, sobretudo em redes privadas. É o caso da fabricante japonesa NEC, como explica Roberto Murakami, principal executivo da área de negócios para operadoras da empresa. 

(ÁUDIO ROBERTO MURAKAMI)

Mas se o OpenRAN é uma grande promessa, ainda é também um ambiente de muitas incertezas para as operadoras, e a Claro expressa bem esses dilemas que se colocam para as empresas. André Sarcinelli, CTO da empresa, explica.

(ÁUDIO ANDRÉ SARCINELLI)

Não há dúvida de que ainda existem muitos desafios para que a abordagem OpenRAN passe a ser a regra no setor de telecomunicações, sobretudo para o 5G, onde o maior potencial se apresenta, mas também onde ainda existe um caminho mais longo de desenvolvimento. E a palavra chave para esse processo parece ser a colaboração entre os diferentes atores, como coloca Átila Branco, da Vivo.

(ÁUDIO ÁTILA BRANCO)

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