Board da Telecom Italia aprova spin-off da rede fixa

O conselho de administração da Telecom Italia, holding que controla a TIM Brasil, aprovou na quinta-feira, 30, um plano para o spin-off de suas redes fixas de acesso em cobre e fibra ótica. O movimento, estudado desde o ano passado pelo board da holding italiana, tem algumas implicações importantes. Primeiro porque se a Telecom Italia conseguir vender uma participação nessa nova empresa avaliada entre 13 e 15 bilhões de euros poderá reduzir sua dívida líquida, que somava ao final de março 28,76 bilhões de euros. A meta da holding é encerrar 2013 com dívida líquida de 27 bilhões de euros. O futuro possível comprador da fatia é o banco estatal Cassa Depositi e Prestiti, com o qual as negociações continuam, segundo comunicado oficial da Telecom Italia. O spin-off seria uma das condições para que o negócio seja fechado.

Outro ponto importante é que a separação das redes fixas minimiza a resistência política a uma futura fusão entre os negócios móveis domésticos da Telecom Italia e a 3 Italia (H3G), do grupo chinês Hutchison Whampoa. A proposta do grupo baseado em Hong Kong prevê a aquisição de uma participação acionária na Telecom Italia, o que o levaria a se tornar o maior investidor individual da holding italiana, mas desde que as negociações foram confirmadas pela Telecom Italia elas vêm enfrentando grande resistência política devido ao receio de que a infraestrutura, considerada estratégica e vital para segurança nacional do país, fique sujeita a controle estrangeiro.

E, finalmente, a separação da rede fixa de acesso bem como seus ativos de terminação e armários em uma nova empresa, segundo a Telecom Italia em comunicado, "garantirá a todos os operadores de acesso à rede fixa tratamento isonômico de acordo com o modelo europeu de 'Equivalence of Input' (EoI)". Na teoria, isso poderá aumentar a competição em serviços de voz e dados naquele país, onde mesmo com a obrigação de compartilhamento imposta pelo órgão regulador italiano AGCom, são recorrentes as queixas das operadoras competidoras de não conseguirem praticar ao usuário final as ofertas da Telecom Italia por conta dos altos preços cobrados pela incumbente pelo aluguel da infraestrutura no atacado. Vale lembrar que no início de maio a autoridade antitruste italiana multou a Telecom Italia em 104 milhões de euros por abusar de sua posição dominante na infraestrutura de rede para defender sua cota de mercado e impedir o acesso das concorrentes ao cliente final para ofertas de voz e banda larga na Itália.

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