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Cisco diz que proposta de nova arquitetura de Internet não é um ‘lock-in’

A proposta de simplificação da arquitetura da Internet apresentada pela Cisco não é uma forma de aprisionar empresas em um ecossistema fechado da fornecedora. O SVP e gerente geral de Infraestrutura em massa da companhia, Jonathan Davidson, afirma que houve preocupação da companhia em promover também a interoperabilidade com sistemas e equipamentos legados ou de concorrentes.

“Soa como se a Cisco estivesse querendo um ‘lock-in’, e não é o caso. Sempre fomos abertos, e IP sempre fala com outro”, destacou o executivo em conversa com analistas e imprensa nesta quarta-feira, 31. A fornecedora também tem trabalhado com projetos como o Telecom Infra Project, capitaneado pelo Facebook, e o Open Router, focado em construir um ecossistema aberto.

O projeto utiliza o padrão Open ZR+ de comunicação para garantir a interoperabilidade de sistemas. Isso permite a convergência entre camadas, alega Davidson. Para ele, o formato aberto é também um meio de obter melhores resultados no desenvolvimento. “A gente acredita que aumenta o ritmo de inovação, e isso dramaticamente resulta em menores custos de acesso.”

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Transponder

Conforme Davidson apresentou na terça-feira, 30, a proposta de redesenho, batizada de “Internet para o futuro”, é a de simplificar a arquitetura atual, baseada em camadas legadas e com pouca convergência, para uma rede simplificada rodando em IP. Para tanto, a Cisco utiliza a tecnologia da subsidiária Acacia para um transponder pequeno, pouco maior do que um pendrive, de fácil instalação e capaz de trafegar 400 GB – o dobro de modelos anteriores, que era significativamente maiores e consumiam 47% mais energia. 

Esse transponder, baseado nos padrões de conectividade ZR+, pode ser facilmente plugável no roteador, segundo o SVP da Cisco. “Agora tem um transponder sintonizável que pode emitir diferentes ondas de luz para o roteador e conseguir mais vantagens. Todos os parceiros entendem a tecnologia e sabem como fazer, é uma habilidade fácil para eles”, declara. A Acacia também trabalha para fornecedores concorrentes, uma vez que o time de vendas é mantido de forma neutra por meio de uma barreira para manter o negócio independente.

Assim, todos os serviços trafegando na camada IP, inclusive a camada óptica, permitiria a melhor gestão da infraestrutura, implantando monitoramento e automação com big data e analytics. Em vez de utilizar “silos” diferentes para cada tipo de assinante de acordo com serviço – móvel ou de cabo, por exemplo -, a operadora pode migrar para a nuvem e ter consistência entre todos os serviços prestados. 

O objetivo é “eliminar completamente a camada ótica, acabando com os roteadores”. Naturalmente a empresa não prevê isso acontecendo de forma instantânea, mas gradual, configurando os novos transponders diretamente nos roteadores e eliminando elementos já na primeira fase, que ele estima durar 18 meses. 

Universalização

Na visão de Jonathan Davidson, esta é uma forma de a Cisco contribuir para uma Internet mais abrangente e acessível, especialmente para conectar as 3 bilhões de pessoas offline no mundo atualmente. “A ótica roteada reduz o custo da infraestrutura sensivelmente, o que permite simplificar a rede e sim, reduzindo o custo da infraestrutura. Isso faz com que a Internet seja mais acessível. A operadora pode repassar essa economia [ao usuário final] e criar mais opções”, argumenta. 

Davidson voltou a mencionar que é necessário também acabar com leilões arrecadatórios de espectro, como o recente de US$ 81,1 bilhões nos Estados Unidos. “Temos que trabalhar com governos em cada país, e em vários países pelo mundo, para compartilhar informações e fazer com que entendam o impacto dessas ações em longo prazo.”

EVP & chief people, policy & purpose officer da Cisco, Fran Katsoudas

Durante sessão principal também nesta quarta-feira, a EVP & chief people, policy & purpose officer da Cisco, Fran Katsoudas, afirmou que a companhia também destacou o desafio de conectar os desconectados pelo mundo, especialmente após o impacto da covid-19. Ela declarou que a companhia tem compromisso social, e não apenas com acionistas, de ajudar no combate à pandemia, além das causas ambientais e de inclusão. 

“Precisamos de mais do que uma recuperação inclusive”, declara. “Tem que estar intrínseca em tudo, não pode ser apenas uma frase de impacto. A tecnologia da Internet para o futuro é para fechar a desigualdade digital, e a Cisco trabalha com o público e com provedores para democratizar o acesso”, destacou.    

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