Para Borges, que preside conselho da Telebras, modelo do SGDC é o de menor risco

Satélite brasileiro SGDC

Para o secretário de telecomunicações, André Borges, que é também presidente do conselho de administração da Telebras, o modelo apresentado para a exploração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) é o que assegura maior potencial de retorno para a Telebras, com o menor risco possível. Ele se mostra confiante no interesse do mercado pela capacidade, e lembra que a destinação prioritária do satélite nunca foi o atendimento dos provedores de acesso.

TELETIME – Você está no conselho da Telebras. Recentemente conhecemos o novo plano de exploração do SGDC. Ele está ou não combinado com o TCU?

André Borges – Eu não sei responder com todos os dados. O TCU atua a posteriori e não costuma se posicionar no sentido de dar anuência ou aval a priori. Ele escuta mas só depois que . O Jarbas Valente teria declarado que já teve conversas com eles e como isso aqueceu (a divulgação do plano), é natural que o TCU queira mais informações.

O montante a ser recuperador, se for 100% do SGDC, equivale a R$ 2,78 bilhões, o que é muito só com um plano comercial. O satélite ficou caro. Tem mercado para isso?

A nossa opinião é que sim e essa foi a análise do nosso consultor, a FGV. É a alternativa de melhor resultado para a Telebras. Chegou-se à conclusão de que vender a capacidade no atacado dá mais retorno do que o investimento necessário na rede de distrbuição de V-Sat, na exploração do varejo. Porque ninguém leva em consideração o altíssimo nível de risco de execução desta alternativa, ou seja, de fazer diretamente, por uma empresa que não está estruturada para isso. Além de tudo, é preciso lembrar que a Telebras, como estatal, tem que seguir uma regra de contratação de pessoal, que se por um lado garante boa formação nos selecionados, de outro te impede de trazer gente que tenha conhecimento de mercado. E isso é essencial para um negócio novo. A remuneração do satélite não virá apenas do leilão, pois 30% da capacidade está contratada pela Defesa, que fatalmente terá que absorver 30% do custo de investimento.

Por que o valor de investimentos no projeto do SGDC divulgado por vocês foi de R$ 2,1 bilhões para R$ 2,78 billhões de um release para o outro?

Uma coisa é o investimento na infraestrutura satelital em si, no satélite, antenas, lançamento… mas há a necessidade de um investimento em redes terrestres para dar vazão aos dados, que não estava diretamente associada ao custo.

O edital não é muito intervencionista ao dar à Telebras a prerrogativa de dizer quem pode ou não vender para o governo usando o SGDC? Outra crítica é que a cobertura nacional pode desestimular interessados.

Não é que não pode vender, a Telebras tem preferência. Mas não sei detalhes do edital nesse aspecto e posso estar equivocado. Em relação à cobertura, não queremos que quem entre privilegie apenas uma região, foi uma opção nossa. Claro que isso reduz valor a potenciais interessados, mas é a nossa premissa. O que estamos entregando é uma capacidade no atacado para que empresas com capacidade de comercialização no varejo o façam, obrigando que todos concorram entre si  e em todo o território nacional. É um desenho bastante interessante. É o melhor que dá para tirar dessa infraestrutura sem maiores riscos de execução. Todo o resto teria altíssimo risco. E a Telebras segue com seus outros projetos em paralelo, pois o satélite tem como destinação precípua o atendimento a escolas e Correios.

E aos provedores, pelo PNBL…

Isso (atendimento aos provedores) é PNBL. A vinculação ao satélite está sendo torta. Não que eles não possam ser atendidos pelo satélite. Existem muitas experiências internacionais nesse sentido e é uma possibilidade, mas há outras formas de fazer o backhaul.

E o segundo satélite é garantido?

Vai depender muito do sucesso deste, porque houve muito sacrifício para que o SGDC fosse viabilizado.

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