Saldo do Citi com investimentos nas privatizações foi nulo

Se a compra do controle da Brasil Telecom pela Oi efetivamente acontecer, o Citibank pode estar saindo do Brasil com uma quantidade de dinheiro equivalente, ou mesmo inferior, à que investiu no país no processo de privatizações do governo FHC, se considerada a desvalorização do dólar. Isso, 10 anos depois.
Os valores que se conhece até o momento são os seguintes: os controladores da Brasil Telecom receberão R$ 4,85 bilhões no caso de venda de controle para a Oi. Além disso, no processo de reestruturação interna da Telemar, os acionistas da Lexpart (Citibank, Opportunity e fundos) receberão R$ 640 milhões. A Lexpart é acionista da Oi, mas deverá deixar de existir após a fusão.

Quinhão de cada um

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Distribuídos os valores proporcionalmente à participação de cada um nas empresas, temos a seguinte conta: o Citibank receberá cerca de R$ 1,410 bilhão pelo controle da Brasil Telecom e mais R$ 291,4 milhões pela sua parte na Telemar, totalizando aí R$ 1,702 bilhão (ou US$ 972 milhões ao câmbio de R$ 1,75).
Já o Opportunity receberá pelo pedaço que tem da cadeia de controle da BrT R$ 299 milhões, mais R$ 298 milhões a que tem direito na Lexpart, totalizando aproximadamente R$ 598 milhões (US$ 341 milhões). Os fundos de pensão, que devem continuar como sócios da BrOi, caso ela venha a existir, teriam direito a R$ 3,05 bilhões pelas ações de controle da Brasil Telecom e mais R$ 47 milhões pelas ações na Lexpart, totalizando R$ 3,1 bilhões (US$ 1,771 bilhão).

Vale lembrar que o Citibank, quando passou a investir no processo de privatização Brasileiro, em 1997, investiu cerca de US$ 730 milhões no fundo CVC International, na época gerido pelo Opportunity. Dois anos depois, investiu mais cerca de US$ 140 milhões na Lexpart, ao dólar da época. Ou seja, investiu cerca de US$ 870 milhões. Agora, sairá do Brasil com cerca de US$ 972 milhões pela BrT e pela Oi, mais cerca de US$ 190 milhões pela Telemig Celular (vendida para a Vivo) e mais cerca de US$ 70 milhões pela sua parte na Santos Brasil vendida em maio de 2006. Ou seja, realizará seus investimentos com um montante de US$ 1,23 bilhão, ou um saldo positivo de US$ 362 milhões. Parece muito. Mas considerando a expressiva desvalorização do dólar nos últimos 10 anos, as disputas judiciais travadas com o Opportunity (que poderiam render mais US$ 300 milhões, dos quais o Citi abrirá mão), o desgaste político de enfrentar durante sete anos os fundos de pensão e a Telecom Italia e depois mais três de batalhas com Dantas, além da a oportunidade de outros investimentos que deixaram de ser feito para apostar no Brasil, vê-se que o Citibank não terá tido nenhum ganho expressivo no período, ou seja, perdeu tempo e dinheiro. Isso se der a sorte de a fusão entre Brasil Telecom e Oi sair como planejada.

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