Transparência e padronização são a saída para as smart cities

O conceito de cidades inteligentes não é novo, mas as iniciativas para transformar os ambientes urbanos ainda parecem tímidas no Brasil. Além de conectividade, elementos na cadeia de soluções de governança de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), como transparência e padronização, são fundamentais para o desenvolvimento dessas iniciativas, como defenderam os palestrantes de um workshop sobre o tema realizado em São Paulo nesta terça-feira, 30, em uma parceria entre a Telefônica/Vivo e a União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Um dos pontos observados é a necessidade de integração entre sistemas legados com terceirizados para projetos de comunicação máquina-a-máquina (M2M), como smart grids resolvendo as dificuldades para a gestão desses ativos. "É preciso criar um padrão comum, isso poderia facilitar a coordenação", defende o engenheiro da Telecom Italia, Maurizio Vasta. A saída é utilizar um módulo remoto de gerenciamento para controlar o device, integrando as plataformas, ou deixando com a operadora de telecom a função de "prover uma camada para esconder a complexidade". Na Itália, a padronização ocorreu para o medidor inteligente de gás. "Dessa forma, o consumidor final pode mudar a companhia sem precisar mudar o device. A tele precisa aplicar o padrão e criar a infraestrutura." A operadora, controladora da TIM no Brasil, possui iniciativas também com redes de eletricidade.

A conselheira de TICs para ambiente e mudanças climáticas da UIT, Cristina Bueti, cita que na América Latina já há casos de projetos de smart cities, como na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, que conta com smart metering para melhorar a eficiência energética. "Desenvolvemos um report que é uma área extremamente importante do ponto de vista econômico, mas também ajudando o ambiente com nossas metodologias", explica. Mas iniciativas menores já podem fazer a diferença, diminuindo o lixo eletrônico (e-waste): ela cita, por exemplo, a criação de um padrão único de carregador de celular, que diminui a necessidade de levar vários fios em viagens e, principalmente, o descarte de cabos não utilizados.

Outro lugar com iniciativas do tipo é em São José dos Campos/SP. A Ericsson, que possui fábrica na cidade paulista, tem um acordo de desenvolvimento tecnológico para segurança pública, defesa civil e monitoramento de tráfego, com 500 câmeras e 205 km de fibra. Além disso, a empresa tem uma parceria com a Telefônica/Vivo em Curitiba, onde implementou o primeiro ônibus com conexão 3G no mundo. "São 2.500 ônibus e 500 pontos em Curtiba com a conectividade. Agora temos um desafio de pensar em um ônibus 4G", afirma a diretora de sustentabilidade da Ericsson para a América Latina, Carla Belitardo. Segundo ela, a estimativa que a fornecedora sueca tem para o mundo é de 50 bilhões de conexões no mundo, incluindo M2M e pessoas, até 2020. O Brasil seria responsável por cerca de dois bilhões de acessos nesse período.

Transparência

Para o conselheiro de informação e comunicação da Unesco, Guilherme Canela, o Brasil precisa pensar em políticas públicas de médio e longo prazo para finalmente poder colocar em prática de forma ampla essas iniciativas. "Temos que parar com a cultura de projetinho, de programinha", reclama. Ele defende políticas de transparência, que permitem acompanhamento e cobrança. "Participação é fundamental. Se os cidadãos não forem considerados, vamos ter mais e mais protestos, que são sinais da desconsideração, da própria vivência das pessoas sobre o que elas consideram ter cidades mais inteligentes".

A Anatel procura sempre a transparência nos atos, de acordo com o especialista em regulamentação da Anatel, Eduardo Hiroshi Murakami. Ele cita a divulgação de reuniões e os projetos de consulta pública. "Temos governança para incentivar as ações", defende.

Outro ponto são as licitações de frequências. "A regulamentação da agência é voltada para a neutralidade tecnológica – não importa a tecnologia, mas que o serviço seja prestado da melhor forma possível", diz ele, citando a venda das faixas de 2,5 GHz com o espectro de 450 MHz para a banda rural agregado, além de metas de cobertura. Ele lembra ainda que o País conta com a Resolução 544/2010, que separa as bandas de 2.570 MHz a 2.585 MHz para infovias municipais.

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