Franquias são usadas para desincentivar o streaming de vídeo, afirma especialista

O modelo de franquias na banda larga fixa não se sustenta tecnicamente ou mesmo economicamente. A afirmação é do co-fundador e diretor executivo da iniciativa Fight For The Future, Holmes Wilson, em entrevista a este noticiário. A entidade luta pela preservação das regras da Open Internet nos Estados Unidos e conta com a simpatia de provedores de conteúdo, incluindo gigantes como Twitter e Netflix.

Ele explica que não há justificativa para impor franquias na banda larga fixa, ainda mais sem considerar o horário. "É coisa totalmente inventada pelo provedor para desincentivar o uso de streaming de vídeo, porque eles mesmos são provedores de outro produto que está sendo substituído, a TV a cabo", declara. Afirma que a o argumento de escassez de gigabytes mensais não existe: se há um problema de capacidade em alguns momentos, as empresas poderiam investir para aumentar ou apenas oferecer menos banda para os usuários.

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Wilson declara ainda que o conceito de "heavy user" de Internet, mesmo no Brasil, já não é o do usuário jovem que baixa filmes ilegalmente ou passa horas jogando online. "São usuários totalmente normais, que têm família com criança vendo programa de TV, adolescente outro, e pais assistindo a outros. Não é o garoto hacker imaginário." O argumento de provedores é que a Internet ilimitada beneficiaria apenas alguns poucos heavy users e seria em detrimento da maioria que usa moderadamente a rede.

Nova mídia

Residente no País desde 2015, Holmes Wilson enxerga alguns paralelos com a política de Internet dos Estados Unidos. "Vejo que o modelo regulatório de provedores de Internet no Brasil faz bastante os mesmos erros que o sistema regulatório dos EUA, que não faz nada para impedir o estabelecimento de monopólios locais de banda larga fixa", declara. Ele acredita ainda que o serviço brasileiro tem alto custo, o que amplifica a inacessibilidade.

Ele compara o estágio atual da Internet no Brasil com a dos EUA no começo dos anos 2000, quando a mídia dominante ainda era a TV naquele país. Uma vez que essa tendência se reverteu na classe média norte-americana a favor da Web, tanto na conexão fixa quanto na móvel, isso "abriu várias portas para a Internet ser uma força política". Ele acredita que o mercado brasileiro ainda está "a alguns anos" deste mesmo caminho, mas que isso também terá impacto na política do País de forma expontânea e "muito surpreendente". "Grupos como as Organizações Globo vão ter muito menos poder para determinar a conversa política e vão surgir novas mídias mais descentralizadas e muito menos vinculadas ao poder político e econômico tradicional", prevê.

Wilson ressalta que, assim como a Fight For The Future nos EUA, há no Brasil organizações que realizam esse tipo de trabalho, citando o ITS-Rio e grupos como Coding Rights. Uma vez que a Internet brasileira amadureça, ele acredita que organizações com agendas mais específicas como a FFTF poderão surgir no País.

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