Que comece o 'MiMiMi', diz Hugo Barra

A chegada da Xiaomi nesta terça-feira, 30, no mercado brasileiro trouxe em pouco tempo um “gostinho” do possível cenário competitivo que a empresa enfrentará. Uma hora após o lançamento do celular Redmi 2 por R$ 499, a rival asiática Asus lançou uma campanha promocional de seu smartphone Zenfone 5 com capa flip por R$ 489.

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A ação ainda é mais provocativa, pois a Asus intitulou o tema como “Chega de Mimimi”, em alusão ao rebuliço que sua compatriota trouxe com sua chegada ao Brasil. O nome “Mi” da Xiaomi é usado em seus produtos (como Mi Band ou Mi Note), sistema operacional (MIUI) e em seu site Mi.com.

Em resposta à provocação, o vice-presidente internacional da Xiaomi, Hugo Barra “agradeceu” a rival pela propaganda indireta – uma vez que a empresa não investe em publicidade – e disse que está aberto à disputa, como faz em outros mercados onde está presente, como China e Índia. Em tom de brincadeira, o executivo brasileiro ressaltou: “Então, por favor, que comece o ‘MiMiMi’”.

O executivo brasileiro, que teve passagem pela equipe do Google Android, preferiu não revelar quem ele vê como rival da empresa. No entanto, durante a apresentação na manhã desta terça-feira, 30, Barra fez comparações com Samsung Galaxy S6 e o Apple iPhone 6. “Eu faço essas comparações porque é algo natural”, enfatiza o executivo. “As pessoas se impressionam: ‘como um celular de R$ 500 pode ser comparado com aquele no topo do topo’. Sim, é possível fazer essa comparação”.

Disruptiva

Hugo Barra ainda foi questionado por MOBILE TIME sobre possíveis parcerias que a empresa chinesa pode fazer com operadoras de telefonia. O diretor-geral da companhia na América Latina, Leo Marroig confirmou as conversas, algo que considerou “natural” nesse estágio. No entanto, Barra afirmou que a tendência é da Xiaomi continuar “disruptiva” através de seu modelo de negócios – com vendas apenas através do site e sem uso de marketing convencional –, mas citou parcerias feitas pela Xiaomi Cingapura com as teles e o varejo locais.

Sobre a escolha do Redmi 2, o vice-presidente internacional foi questionado sobre o motivo de trazer um dos modelos mais populares da Xiaomi, ao contrário de um smartphone top de linha. Barra acredita que este era o melhor modelo para alcançar a população brasileira. “Qualquer modelo de smartphone que apresentássemos a gente conseguiria ser disruptivo. Mas, para entrar no Brasil, nós precisamos atrair mais gente, dar possibilidade para esses jovens (900 fãs da plateia) de comprarem um produto de alta tecnologia. Por isso trouxemos o Redmi 2”, respondeu.

Mercado brasileiro

Se por um lado sua entrada apresentou uma reação imediata da Asus, por outro a sombra da dúvida de seu crescimento paira sobre a Xiaomi. Em uma rápida conversa com esta publicação, Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm na América Latina, uma das principais parceiras da Xiaomi, comentou que o momento poderia ser melhor.

“A atual crise brasileira influencia. Seria maior o crescimento da Xiaomi se entrasse em um ano melhor. Sentimos a desaceleração”, afirma Steinhauser. “O mercado brasileiro é muito difícil. O primeiro desafio é a fabricação local. O segundo são os apps: você precisa de 50 apps implementados para entrar. Precisa se adaptar à rede, ter apoio das operadoras. Investir pesado. E a minha ideia é que a Xiaomi está entrando sério no Brasil”.

Entre os investimentos que Xiaomi trabalha no Brasil, Barra afirmou que a empresa investiu em infraestrutura de transporte com a fabricante dos smartphones, Foxconn, e com o seu site de e-commerce, além de uma operação de back-end da B2W, operadora dos sites do Americanas.com e Submarino.com. É avaliada também a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento no futuro – a ser aprovado pelo governo brasileiro.

Ao ser questionado sobre um eventual aumento de preço por alterações no câmbio nacional, Barra respondeu que será “muito difícil”. E, caso aconteça, a Xiaomi fará o anúncio abertamente aos "fãs", que é como a marca chama os seus consumidores. “Celular, smartphone…Hoje é necessidade básica de subexistência. E trazer a Xiaomi para o País nesse momento (de crise), é muito bom, muito relevante”, enfatizou o vice-presidente da Xiaomi, ao recordar o preço do produto, R$ 499.

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