Oi pretende renegociar dívida com credores com deságio de 70%

Foto: pixabay.com/pexels.com

A Oi elabora um novo plano de recuperação judicial que inclui a negociação para reduzir a dívida com credores de R$ 32,33 bilhões para R$ 10 bilhões, informou a companhia nesta segunda-feira, 30, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa diz que vem se reunindo regularmente com credores, demais stakeholders e "potenciais investidores", e que "uma das alternativas preliminares suscitadas" envolve a entrega imediata de ações aos credores, além de ajuste no valor da oferta. "Como referência meramente preliminar do valor total de créditos destes credores, usa-se o valor de mercado de aproximadamente R$ 10 bilhões, tendo em vista o valor de mercado dos títulos e considerando o valor da empresa após a reestruturação da sua dívida", diz o comunicado. Não está claro se nesse valor entrariam as dívidas referentes a multas, incluindo as da AGU, já judicializadas, e as da Anatel, que podem ser objeto de TACs. Mas pelos montantes, provavelmente não.

Tudo será decidido na próxima quarta-feira, dia 1º, quando o conselho de administração fará uma reunião para discutir o andamento da RJ e da discussão com credores e "potenciais investidores". Segundo a Oi, "poderão ser discutidas alternativas de acordo com opiniões recebidas pela companhia de tais credores ou potenciais investidores". A empresa ressalta que ainda não há decisões definitivas e que "ainda é prematura qualquer afirmação a respeito de eventuais impactos resultantes do plano".

No plano original, o valor limite para credores que optassem pela reestruturação com conversão era de R$ 32,33 bilhões, o que resultaria em até 85% de seu capital formado por credores. A Oi afirmou que ainda não há nenhuma alteração definitiva no plano da RJ, mas confirmou que entre os "potenciais investidores" com os quais tem conversado está o fundo abutre Elliot, cuja proposta inclui injeção de capital de R$ 9 bilhões, tornando assim o fundo norte-americano do bilionário Paul Singer a maior acionista da companhia, com de 51% a 60% de participação. Em resposta específica à proposta do Elliot, a maior acionista da Oi, a portuguesa Pharol (antiga Portugal Telecom), negou apoio em comunicado à agência de notícias Reuters na última sexta-feira, 27.

Vale lembrar que em 17 de janeiro o comitê diretivo de credores, apoiado pelo empresário egípcio Naguib Sawiris, formalizou objeção ao plano de recuperação original da Oi, alegando "natureza ilegal e abusiva" e "favoritismo inapropriado" aos acionistas da própria companhia. O grupo credores representados pela Moelis & Company apresentou em dezembro um plano alternativo prevendo investimentos de longo prazo no total de R$ 37 bilhões em cinco anos. Quando entrou com o pedido de recuperação judicial em junho do ano passado, a dívida total da Oi era de R$ 64,5 bilhões.

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