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Energia vira prioridade e possível oportunidade de negócio para teles

Foto: @Augusto.fotografia

Operadoras como Claro, Vivo e Algar Telecom estão encarando a aguardada abertura do mercado de energia como uma possível oportunidade de negócios para a cadeia de telecomunicações, na medida em que o setor também avança em iniciativas para matriz energética limpa, autônoma e mais eficiente.

O cenário foi discutido durante o seminário Telecom ESG, promovido por TELETIME em São Paulo nesta quarta-feira, 29. Além de detalharem avanços em projetos de geração distribuída (veja detalhes no decorrer da matéria), as empresas também indicaram avaliar o potencial comercial de parcerias para a oferta de energia ao consumidor final.

A Claro, por exemplo, colocou em curso uma prova de conceito para avaliar a complementaridade entre a “máquina de vendas” das teles e o interesse de consumidores em contar com novos players de distribuição de energia. “Estamos estudando essa jornada do cliente para eventualmente dar um segundo passo”, afirmou o diretor de infraestrutura da Claro, Hamilton Silva.

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Ao TELETIME, o executivo apontou que cerca de 5 mil clientes de três estados (Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina) já puderam contar com a experiência, baseada em jornada digital e realizada em parceria com uma comercializadora de energia. “O mercado está abrindo, e as concessionárias atuais vão sofrer concorrência. A questão é qual pode ser a relevância disso no setor de telecomunicações”.

Cenário similar é visto pela Vivo, que também destacou a relevância da base das teles e as capacidades de faturamento. “Me parece óbvio que energia tem que estar no radar para ser estudada e já fizemos pequenos movimentos para entender esse comportamento”, notou o diretor de patrimônio, compras e logística da Vivo, Caio Silveira Guimarães. Ele lembrou que usuários de energia de média tensão poderão acessar o mercado livre já em 2024, com horizonte do movimento chegar no usuário pessoa física em um segundo momento.

A Algar Telecom também sinalizou que tem discutido o assunto há algum tempo, com produto prestes a sair do forno, indicou Leovaldo Martins, diretor da InfraCo da operadora mineira – que prefere ainda não detalhar a iniciativa. “Tão logo teremos novidades”, indicou Martins. Outra operadora que já está botando a mão na massa nessa vertical de energia é a TIM.

Geração distribuída

A abordagem ocorre em momento de crescimento dos programas de geração distribuída (GD) das teles, desenvolvidos como forma de atender a própria demanda por energia das operadoras. A Claro reporta mais de 90 usinas de diferentes matrizes (solar, pequenas centrais hidrelétricas e biogás, por exemplo), hoje responsáveis por mais de 80% dos consumo próprio, informou Silva.

A Vivo possui 65 usinas ativas responsáveis por 90% do consumo de baixa tensão, com meta de alcançar a marca de 85 unidades. Caio Guimarães também recordou que a empresa está inclusive avançando para um modelo de autoprodução de energia, em parceria ao lado da Elera. Com as medidas, a Vivo também está reduzindo gradativamente a compra de certificados de energia.

Com operação mais localizada, a Algar é outra que investe no modelo de GD, no caso desde 2016. A companhia tem hoje 30% do consumo atendido diretamente pela energia de usinas próprias (assim como as concorrentes nacionais, a empresa também se vale da compra de certificados e de energia limpa no mercado livre). Leovaldo Martins notou que a operadora mineira está buscando estruturar projetos em mais três estados.

Em outro painel no mesmo evento, que tratou dos impactos das práticas ESG nos investimentos das operadoras, Mário Girasole, vice-presidnete de assuntos institucionais e regulatórios da TIM apontou ainda que a TIM tem hoje 100 usinas de energia renovável. “Somos os grandes transformadores de energia em sinal”, disse.

Há também players atentos às oportunidades geradas pela demanda das teles. Sócio e CCO na Solar Américas Capital, Roberto Guenzburger apontou que a empresa já conta com clientes do segmento entre aquelas que arrendam usinas solares. Para o executivo, necessidades de redução de custos e o próprio atendimento de metas ESG impulsionam o movimento de busca por autonomia energética – sobretudo no mercado brasileiro onde o planejamento de custos de longo prazo com o insumo é considerado deveras complexo.

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