Claro é contra restrição no mercado de conteúdo

A proposta da Câmara dos Deputados de restringir a entrada das operadoras de celulares no mercado de produção de conteúdo tem sido vista com ressalvas pela Claro. A operadora, que acaba de inaugurar sua operação em 3G, seria uma das primeiras atingidas pela regra, caso o projeto de lei 29/2007, que trata da distribuição de conteúdo audiovisual e da prestação de TV por assinatura seja aprovado com as limitações à atuação das móveis. Para o presidente da companhia, João Cox, a restrição é desfavorável ao cliente.
?É o usuário quem deve decidir. E acho que ele quer ver informações de todas as formas?, protestou o executivo a este noticiário durante o lançamento oficial dos serviços 3G da Claro. O ponto de conflito com as celulares foi incluído no último substitutivo, aprovado na semana passada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara. Pela emenda, as móveis não podem atuar como produtoras de conteúdo nacional ? onde estão incluídos eventos públicos e qualquer programação de autoria ou com maioria de artistas brasileiros. O texto ainda precisa ser avaliado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, onde as operadoras tentaram negociar mudanças no texto.
Na opinião de João Cox, o tema controverso ainda não pode ser tratado como um fato consumado. ?Isso ainda está sendo discutido. Penso que nós temos que olhar o que está acontecendo no mundo nesse sentido.? Segundo ele, é importante considerar que atualmente o universo de distribuição de conteúdo está intimamente ligado com a internet, onde não existem regras de restrição. Nesse contexto, limitar a entrada de mais um meio de distribuição de programação prejudicaria profundamente o usuário.

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Hoje, para cada conteúdo estrangeiro disponível no portal de dados da operadora, o Claro Idéias, são oferecidos 11 conteúdos nacionais. A empresa lançou recentemente o projeto Claro VideoMaker, onde os próprios clientes podem postar conteúdos e são remunerados pelo número de downloads de seus vídeos. Em um mês de funcionamento, o novo serviço gerou aproximadamente 10 mil downloads, sendo considerado um sucesso entre os clientes. Serviços como este tendem a desaparecer caso a restrição seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Sem produção

A Claro, assim como outras operadoras, insiste que sua intenção no mercado de conteúdo não é o de produzi-los, mas apenas ser um novo agente de distribuição.
Para esclarecer o impasse, as empresas têm uma reunião pré-agendada para a próxima semana com o relator da matéria na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Jorge Bittar (PT/RJ).
Um argumento favorável às empresas móveis é que ainda não há um cenário bem definido sobre o mercado potencial de clientes para serviços de dados mais complexos, como assistir programas pelo celular. Ainda hoje, apesar da enorme penetração do celular, o Brasil está bem abaixo no consumo de serviços de dados em comparação com outros países. Enquanto a média de uso de SMS por cliente está em 10 mensagens por mês no Brasil, em países vizinhos, como na Argentina, esse índice é de 120 por usuário. Por isso, as empresas ainda estão estudando porque o consumidor brasileiro tem se mantido distante desses serviços, antes de tentar investir mais fortemente em conteúdo.

3G

O grande filão atualmente para as móveis continua sendo a entrada no mercado de banda larga no Brasil. Este é o carro-chefe do lançamento das operações em 3G da Claro, oficializado nesta quinta-feira, 29. Os pacotes estão sendo oferecidos em Brasília, Recife e Fortaleza. Hoje à noite, a operadora inaugura os serviços em Porto Alegre, sendo que Rio de Janeiro e São Paulo estão na lista de lançamentos de dezembro.
Dois pacotes foram apresentados: um com velocidade de 500 Kbps por R$ 69/mês e outro com de 1 Mbps custando R$ 99/mês. Ambos têm download ilimitado e, promocionalmente, incluem de forma gratuita o modem USB ou placa PCMCIA. Segundo Cox, a velocidade de acesso no pacote mais caro deve ser mais alta do que o anunciado, mas a empresa preferiu ser cautelosa. ?O usuário vai ter mais velocidade do que isso na prática, mas preferimos oferecer menos porque, assim, eu entrego o que eu prometi?, afirmou o executivo.
A Claro também está entusiasmada com o leilão para as faixas de 1,9 GHz e 2,1 GHz, que será realizado pela Anatel no dia 18 de dezembro. Cox declarou que, em breve, espera poder expandir as operações recém-inauguradas em 850 MHz para 2,1 GHz.

TV digital

Quanto à provocação feita na quarta-feira, 28, pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, de que as empresas de telefonia deveriam se envolver mais no projeto da TV digital, investindo em aparelhos capazes de receber as transmissões das redes abertas, Cox foi objetivo. ?Não consigo entender porque as operadoras é que tem que comprar os aparelhos?, declarou. Para o empresário, qualquer setor pode investir na importação desses equipamentos e essa não é uma tarefa exclusiva das móveis.

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