Impacto da covid-19 faz base de celular pós-pago ter maior queda da história em abril

Foto: Pixabay

No primeiro mês em que o impacto do coronavírus (covid-19) foi plenamente sentido no Brasil, a quantidade de acessos pós-pagos caiu. Comparado com o mês anterior, o recuo em abril foi de mais de 525,8 mil linhas de celular, o maior desde o início da medição da Anatel, em 2005. Proporcionalmente, a queda foi de 0,47%. No total, os acessos pós-pagos somaram em abril 111,459 milhões de chips, ainda representando aumento anual de 8,37%.

De fato, o encolhimento da base pós-paga só aconteceu outras três vezes nesses 15 anos: em junho de 2006, julho de 2012 e em janeiro de 2019. Neste último caso, contudo, há grande divergência entre os números divulgados na época (que mostravam crescimento de 791,5 mil linhas) e os que constam atualmente na base de dados da agência (redução de 95,7 mil conexões).

Notícias relacionadas

O pré-pago também caiu em abril, mas a redução foi menor: 171 mil desligamentos, uma queda de 0,15%. No comparativo anual, a redução é de 9,27%.

Diante disso, o mix observou uma leve ampliação da dominância do pré-pago (0,08 ponto percentual), que agora é 50,59% do total da base brasileira. Os outros 49,41% do pós-pago indicam que a virada do mix, antes prevista para acontecer ainda este ano, pode não estar tão próxima.

Todas as maiores operadoras apresentaram queda no pós-pago, com destaque para a redução líquida da Vivo, com 276 mil desligamentos em um mês (0,63% de diminuição) e da TIM, que observou 149,9 mil desconexões no segmento. A tendência levou a uma leve redução do mix do pós em relação ao pré-pago para a Oi, Vivo e Algar Telecom. 

4G

Considerando somente a conexão 4G, contudo, há uma tendência mais clara de queda no pós-pago de todas as grandes operadoras, exceto a Vivo, que apresentou estabilidade (a tele adicionou apenas 834 novos acessos no período). No caso da Oi, houve mais de 360 mil desligamentos (redução de 4,20%), enquanto a TIM reduziu em 100 mil (menos 0,63%) a quantidade de chips.

Pós-pago 4GAbril 2020Crescimento Líq.Crescimento %
CLARO 17.004.607-92.882-0,54%
Oi8.218.907-360.772-4,20%
TIM15.723.266-100.376-0,63%
VIVO27.692.3598340,00%

A Claro, por sua vez, teve uma queda mais forte no pré-pago 4G, com 197,4 mil desconexões (redução de 0,97%). Ela foi a única a reduzir os acessos em abril nesse segmento. A Vivo, por exemplo, aumentou 272,7 mil acessos (1,21%). 

Pré-pago 4GAbril 2020Crescimento Líq.Crescimento %
CLARO 20.138.783-197.473-0,97%
Oi16.925.53994.8060,56%
TIM23.271.12754.8970,24%
VIVO22.789.239272.7211,21%
Fonte: Anatel

Isso indica que houve uma migração de clientes do pós para o pré no 4G. O impacto da restrição da mobilidade com o isolamento social, especialmente na classe média, pode ser uma explicação para a retração do pós-pago no primeiro mês em que foi possível presenciar os efeitos da covid-19 durante todo o período. Também houve um substancial impacto da crise no mercado de aplicativos de transporte, cujos motoristas costumam ter conexões 4G dedicadas aos veículos. Outro fator apontado é a diminuição dos planos familiares, já que há menos deslocamento dos filhos para atividades externas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.