Oi fala em investir US$ 15 bilhões no exterior

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, não gosta de chamar a companhia resultante da compra da Brasil Telecom (BrT) de "super tele". "Ela (a BrOi) é mais tele do que super", comentou nesta quinta-feira, 29, em audiência com deputados federais. Mas a modéstia não está refletida na apresentação que o executivo fez na Câmara dos Deputados. Os planos de atuação da nova companhia são superlativos. Em cinco anos, a BrOi pretende ter 110 milhões de clientes, sendo 30 milhões capturados no exterior. Hoje tem cerca de 45 milhões de clientes.
Apenas para conseguir atingir o objetivo de sair das fronteiras brasileiras, Falco calcula que serão necessários investimentos na ordem de US$ 15 bilhões.
Falco faz mistério e nega que a empresa já esteja prospectando oportunidades para atacar outros países. "Nós não temos nenhum plano feito porque não temos nenhuma oportunidade identificada no estrangeiro", esquivou-se. Mas depois confirmou interesse em expandir e o foco seria "todos os países de língua portuguesa, assim como nossos países vizinhos". "Os alvos são todos. O problema é que não têm tantos assim no momento porque, com a consolidação do espanhol (Telefónica) e do mexicano (Telmex), isso tirou muitos ativos da mira para aquisições mais rápidas".

Argentina e Venezuela

Esse cenário pode fazer com que a BrOi opte por fazer operações "Green Field" (partindo do zero) em países vizinhos ao invés de apostar em aquisições de outras companhias. Como essas entradas são mais difíceis e, normalmente, exigem mais investimentos, a equipe da Oi continua atenta para encontrar ativos possíveis de negociação na América do Sul, por exemplo. "Você tem alguns ativos acontecendo na Argentina, na Venezuela… Não é aquele espetáculo que foi antes; o pessoal (Telmex e Telefónica) chegou na frente, a gente tem que ser humilde em reconhecer", afirmou Falco.
O cálculo de US$ 15 bilhões não significa, no entanto, que a super tele deverá tirar do próprio bolso o dinheiro necessário para a expansão. Falco explica que este é o valor necessário para conquistar uma clientela de 30 milhões, considerando que se investe R$ 1 mil para capturar cada cliente no exterior. Mas pondera que esse valor pode ser "investido" por meio de trocas de ações com outras empresas, parcerias, aquisições e outros métodos mercadológicos de expansão. "Não significa que os R$ 30 bilhões de reais sairão do caixa da empresa".

Eficiência

Durante toda a sua apresentação, o presidente da Oi insistiu na importância de se consolidar uma grande empresa nacional a partir da compra da BrT para que os ganhos de escala e eficiência permitam essa expansão sonhada pela companhia. "O que a gente quer é comprar um monte de coisa, barato pra caramba. O problema é que tem mais gente que quer fazer isso. Por isso a gente precisa consolidar essa empresa nacional e começar a dar os passos. A preocupação é que a gente precisa fazer isso rápido", resumiu ao sair da audiência.
Além da expansão para outros países, a Oi calcula outros ganhos na aquisição da BrT no mercado interno. Até 2010, a super tele deve ampliar em 182% sua atual participação no mercado de banda larga no Brasil, partindo de 1,7 milhão de clientes para 4,8 milhão, na avaliação da Oi. Em telefonia móvel, o crescimento esperado é de 47% nos próximos dois anos e, na fixa, de 7%. Com essas previsões, Falco comprometeu-se a manter o número atual de postos de trabalho das duas companhias por um período de três anos.

Críticas

A audiência pública acabou expondo que os deputados não vêem nenhuma grande polêmica em torno da compra da BrT pela Oi. Ou, pelo menos, não apresentaram seus pontos de divergência claramente aos executivos das empresas. O único deputado a levantar dúvidas mais complexas sobre a operação foi Nelson Proença (PPS/RS). O parlamentar questionou se criação da super tele, com participação do BNDES, não poderá comprometer a isenção na regulação. "O meu ponto é que o governo será co-gestor da maior empresa de telecomunicações do Brasil. Como é que o governo terá isenção para também ser o regulador?", duvida o deputado.
Falco não entrou diretamente na questão da imparcialidade da regulação após concluída a compra, mas defendeu a participação do BNDES no processo, alegando que o banco de fomento está agindo meramente como sócio ao ter papel atuante na reestruturação da Oi. "Na operação da Brasil Telecom nós não temos aporte (do BNDES); na operação de reestruturação societária tem, porque ele é sócio", afirmou. "Na operação de compra da Brasil Telecom, nós temos zero de aporte do BNDES; nada. Todos os aportes estão sendo feitos pelo caixa da companhia e pela capacidade de a companhia se alavancar".
O deputado Jorginho Maluly (DEM-SP) manifestou preocupação com a possibilidade de monopólio: "É justo que as empresas procurem rentabilidade, mas não é justo com o país que várias localidades sejam privadas do desenvolvimento tecnológico", afirmou.
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) perguntou se o ganho de escala poderia significar diminuição das tarifas. Já o deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP) perguntou: "Não seria esse o momento de discutirmos o compartilhamento das redes para permitir a concorrência no setor de transmissão de dados?".

Mudança regulatória

Com relação à mudança no PGO, necessária para que a compra saia do papel, Falco mostrou-se otimista sobre a possibilidade de ela ser aprovada pelo Conselho Diretor da Anatel. "A gente admite a hipótese de não ser aprovado porque quem aprova não somos nós; é o governo que aprova ou não aprova. Mas estamos super animados de que vai ser aprovado sim", afirmou.
A expectativa positiva é necessária também por conta do tamanho da multa que a Oi terá que pagar caso o negócio não seja concluído. Se a operação falhar, a empresa terá que arcar com uma multa de R$ 500 milhões, além de custos de R$ 315 milhões com os acordos judiciais que já foram fechados para preparar a Brasil Telecom para a compra, totalizando um custo de R$ 815 milhões em caso de fracasso na aquisição. "O que é muito dinheiro", arrematou Falco. Confira a apresentação que o executivo fez aos deputados na seção "downloads" do site TELETIME

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