Foco em pós-pago prejudica Ebitda da Claro

Em conseqüência do avanço de adições líquidas, especialmente no segmento pós-pago, a Claro tem sofrido com a deterioração do seu Ebtida, que diminuiu 9,1% no primeiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 716 milhões. Esta queda é a segunda consecutiva do indicador. O Ebtida do último trimestre do ano passado, de R$ 613 milhões, foi 9,3% menor que no mesmo período de 2007. Apesar das quedas, na comparação entre 2007 e 2008 houve um avanço de 8,9%. Entretanto, a margem Ebtida não acompanha a evolução positiva, já que na comparação entre 2007 e 2008 a margem sofreu pequena queda de 1,4 ponto percentual, indo para 23,6%. Na comparação trimestral, a margem Ebtida da Claro caiu 4,2 pontos percentuais no primeiro trimestre do ano, indo para 25,6%.
João Cox, presidente da operadora, explica que a queda da margem e do Ebtida é reflexo do aumento do custo de aquisição de clientes, que por sua vez sofre aumento na medida em que, proporcionalmente, a empresa adiciona mais clientes pós-pagos que pré-pagos. De fato, a base de clientes pós-pagos cresceu 36% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e já representa mais de 20,6% dos assinantes da Claro. Os pré-pagos apresentaram avanço de 24,8% no período. A Claro tem 39,587 milhões de clientes, dos quais 8,148 são pós-pagos e 31,439 pré-pagos. No primeiro trimestre do ano a operadora adicionou 855 mil clientes, o que significa um crescimento de 2,2%.
Cox apresentou um gráfico mostrando que há três anos a empresa detinha a menor participação de clientes pós-pagos na base. Hoje, a situação se inverteu e a Claro tem a maior participação de clientes pós-pagos na base, segundo o executivo. O preço que se paga por isso, de acordo com o raciocínio do executivo, é que aumenta-se o custo de aquisição de clientes – uma vez que normalmente os clientes pós-pagos estão associados a planos com subsídio de aparelhos – o que pressiona a margem. Além disso, o executivo mencionou também a carga tributária e a flutuação cambial como responsáveis por margens baixas no mercado como um todo.
A receita líquida de serviços no trimestre teve um aumento de 9,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2008, impulsionada pela receita de serviços de valor agregado, que teve um crescimento de 70,9% no ano. De janeiro a março, a receita líquida total da Claro atingiu R$ 2,8 bilhões, 5,8% maior em relação ao mesmo período do ano passado.
América Móvil
Já a controladora da Claro, a mexicana América Móvel, conseguiu superar as expectativas com resultados consolidados positivos nos primeiros três meses do ano. E parte do bom resultado, segundo a própria empresa, foi a desvalorização do peso mexicano frente a todas as outras moedas na região em que a América Móvel opera.
A holding registrou no período lucro líquido de 16,4 bilhões de pesos (US$ 1,2 bilhão), montante 18,7% maior que o do primeiro trimestre de 2008. O Ebitda cresceu 12,9% no período, encerrando março com 38,3 bilhões de pesos (US$ 2,8 bilhões) enquanto a margem Ebitda apresentou leve queda 0,9 ponto percentual, e encerrou o trimestre com o índice de 40,8%.
O lançamento das operações 3G na América Latina e, por consequência, o aumento do uso de dados móveis, aliados ao crescimento da participação de pós-pagos no mix de clientes das operadoras da holding impulsionaram o aumento de 15,4% da receita consolidada, que somou 93,8 bilhões de pesos (US$ 6,9 bilhões). Ao final de março, a América Móvil totalizava 186,586 milhões de clientes móveis e 3,841 milhões de linhas fixas (operações na América Central e no Caribe).
Empréstimo
Na noite da última terça-feira, 28, a América Móvil anunciou ainda a obtenção de um empréstimo no montante de US$ 1 bilhão junto ao banco China Development Bank (CDB). O crédito da instituição chinesa tem prazo de 10 anos e, segundo a holding, será utilizado para financiar a aquisição de equipamentos de rede.

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