Governo autoriza desligamento da TV analógica em São Paulo sob aplausos dos radiodifusores

Foto: Herivelto Batista/ASCOM-MCTIC

A portaria autorizando o switch-off foi na grande São Paulo foi assinada nesta quarta, 29, pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab. Ao longo do dia, várias emissoras começaram o processo de desligamento. Ao todo, a grande São Paulo conta com 44 canais digitais, mas isso inclui aqueles transmitidos no modelo de multiprogramação. Ao todo, serão cerca de 30 emissoras que desligarão seus sinais na cidade.

O ministro disse que a digitalização da TV aberta é um case de sucesso e que traz muitos benefícios para os brasileiros. "Dessa vez é mais emblemático porque vamos atender quase 30 milhões de pessoas, que passarão a ter acesso a imagens de alta qualidade", disse. Vale lembrar que a capital paulista conta com a TV digital desde 2007.

Kassab afirma que a tarefa da digitalização é muito árdua e que há muitos desafios pela frente, mas acredita que a união do governo, dos radiodifusores e das teles vai garantir o sucesso da operação. O ministro disse que a tendência é de que o cronograma da digitalização seja mantido: a próxima etapa é a de Goiânia, com o desligamento do sinal analógico marcado para 31 de maio. Este ano serão cerca de 350 cidades desligadas. Ao todo, por volta de 1,3 mil cidades terão seus sinais analógicos desligados até o final de 2018.

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Paulo Tonet, também elogiou o processo. "Se fizermos uma comparação do desligamento da TV analógica no mundo, os números que temos agora para mostrar são surpreendentes. O Brasil é um case de sucesso do ponto de vista das emissoras de televisão e para a população, inclusive a mais carente, que não fica sem acesso". Vale lembrar que originalmente o processo de desligamento da TV analógica em todo o país, estabelecido por decreto em 2006, estava previsto para acontecer em meados de 2016, mas muitos países do mundo tiveram desligamentos muito mais longos, como os EUA, onde o processo levou mais de 15 anos.

Já o presidente da Associação Brasileira de Televisão (Abratel), João Cláudio Costa, disse que a digitalização dá certo no Brasil porque todos os envolvidos, radiodifusores, governo e teles, fizeram o dever de casa. Para ele, o sucesso do processo serve de exemplo para os demais setores do País.

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, por sua vez, disse que a digitalização é um marco da inovação tecnológica. Ele também afirmou que é contra a alteração no cronograma, mas afirmou que a decisão sobre o tema será tomada na próxima reunião do Gired, dia 19 de abril. A EAD, empresa que administra o processo de desligamento, busca alterar as datas de Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza, alegando dificuldades logísticas.

4 COMENTÁRIOS

  1. Case de sucesso? A tv digital foi gestada desde os primeiros anos do governo Lula. Por volta de 2008, surgirao as primeiras transmissoes em full HD 1920×1080. Naquela epoca, o switch off estava previsto para 2013. Estamos em 2017 e ate agora so 3 cidades de um total de 5 mil, tiveram o sinal analogico desligado. E isso so esta ocorrendo, porque o governo terceirizou a iniciativa privada a tarefa profissional do desligamento. Com essas e com outras, enquanto a gente ta engatinhando no switch off, em varios paises, como o japao, se preparam para a transmissao via terrestre em 4k. Coisas de Brasil.

  2. Mas claro que o switch off seria prorrogado. Não que seja ruim ou estamos atrasados no processo, mas sim devido a condição financeira da população brasileira que nem todos tem condição de comprar uma TV nova ou um conversor para este fim específico. No mais, o prazo procede pois não estamos falando de 20 ou 30 anos de atraso e sim de apenas 4 anos para começar o processo. Seria pior se começarmos em cidades mais pobres e afastadas dos grandes centros. Ops nestes lugares nem energia elétrica tem. Afff

  3. Enquanto a discussão se resume às "maravilhas" do sinal digital (como se fosse obra do governo de plantão ou dos radiodifusores), dois pontos fundamentais da radiodifusão no Brasil ficam à margem dos holofotes: a concentração da produção audiovisual da TV no eixo Rio-SP e o conteúdo.

    As grandes redes de TV geram sua programação no eixo Rio-SP para todo o Brasil, e conferem espaços pífios à programação regional de suas afiliadas, e espaço nulo à produção de conteúdo independente (não conta programas religiosos, de partidos políticos e de vendas). Também não há compartilhamento de conteúdos entre afiliadas e cabeças-de-rede. O Brasil não conhece o Brasil, somente Rio e São Paulo. Isso, infelizmente a TV Digital não vai mudar, porque a multiprogramação (possível com a divisão das faixas de frequência) só é permitida para canais controlados pelos poderes da União.

    Neste caso, teremos imagem e som de alta qualidade, mas com o mesmíssimo conteúdo. A decisão, ainda no governo Lula, pelo modelo japonês de TV Digital (ISDB-T) agradou as grandes emissoras, pois permitiu que o espectro de radiofrequência continuasse nas mãos das mesmas empresas. Resultado: renunciaram à possibilidade de democratizar o setor, trazendo pluralidade de radiodifusores na oferta do serviço de TV e diversidade de conteúdos.

    Um modelo de digitalização da TV aberta que impede a democratização desse importante serviço para a sociedade e o mantém em poder dos mesmos operadores que oligopolizam o setor, não pode ser considerado como um "case de sucesso"?

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