Apenas 5% dos brasileiros com smartphone têm plano de dados compartilhados

Várias operadoras móveis brasileiras já oferecem a possibilidade de compartilhamento do plano de dados, seguindo uma tendência mundial. Mas a adesão do público ainda é baixa. Segundo uma pesquisa feita pelo ConsumerLab da Ericsson, apenas 5% dos brasileiros que possuem smartphone assinam planos de dados compartilhados. Nos EUA, a penetração desse tipo de plano é de 26%. É preciso levar em conta que a oferta no Brasil é mais recente e ainda não houve grandes campanhas de marketing para divulgar esse tipo de plano. Porém, a pesquisa indica que há também várias outras barreiras.

O ConsumerLab entrevistou 9 mil usuários de smartphones de seis mercados (Brasil, Coreia do Sul, EUA, Japão, Índia e Reino Unido). Metade deles tem conhecimento da existência de planos de dados compartilhados. O principal impeditivo para a contratação, apontado por 45% daqueles que não contrataram ainda mas sabem da existência desse tipo de plano, é o preço. A percepção é de que a conta ficaria mais cara, em vez de mais barata. De fato, algumas operadoras cobram um adicional para efetivar o compartilhamento para cada nova linha.

O segundo motivo, alegado por 27% dos entrevistados sem plano compartilhado, é a crença de que a velocidade da conexão cairá ao ser dividida com outras pessoas da família. Trata-se de um entendimento equivocado, proveniente da experiência com o Wi-Fi residencial, cuja velocidade nitidamente diminui quanto mais devices são conectados ao mesmo roteador. "As operadoras precisam fazer um trabalho educacional, para explicar melhor o serviço", comenta Júlia Casagrande, especialista do ConsumerLab para América Latina.

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Entre aqueles usuários mais intensos de dados, há ainda o receio de passarem a ter seu consumo monitorado por outros membros da família – motivo apontado por 22% dos entrevistados. E 19% temem que a adoção de um plano compartilhado gere brigas dentro de casa.

Há reclamações também dentro do grupo que possui planos de dados compartilhados. 46% dizem que não conseguem entender a conta. E 40% estão insatisfeitos com a falta de flexibilidade para alterar os planos e com a falta de transparência para monitorar o consumo de dados em tempo real. "A oferta nem sempre é clara. O consumidor não sente segurança no que está contratando. Não sabe quantos dispositivos pode conectar, e nem como pode controlar seu consumo de dados", comenta Júlia

Tendências

De acordo com o estudo, a residência média dos usuários de smartphone nos seis mercados pesquisados é composta por: seis devices conectados, três usuários de Internet, duas assinaturas de Internet móvel e uma conexão adicional de banda larga fixa, geralmente DSL ou cabo. Com a tendência de aumento de objetos pessoais conectados, como wearable devices, deve aumentar o interesse por planos de dados compartilhados. Aliás, dois em cada cinco entrevistados que não possuem esse tipo de plano demonstraram interesse em contratá-lo no futuro, se o preço for atraente e a oferta bem descrita, obviamente.

Entre aqueles que já possuem plano compartilhado, a média é ter três devices dividindo a franquia. A grande maioria é composta por smartphones. Nos EUA, por exemplo, 77% dos assinantes desse plano adicionaram apenas smartphone, embora 58% deles tenham em casa também tablets e laptops.

O estudo apontou que nos mercados mais maduros o perfil médio do assinante de plano compartilhado é de pais de família com consumo moderado de dados. A tendência é de que nesses mercados cresça a adesão de heavy users a esses planos. No Brasil e na Índia, por outro lado, há uma proporção maior de jovens com grande consumo de dados entre os primeiros a assinar planos compartilhados. Neste caso, a tendência é oposta: a proporção de heavy users deve cair, conforme usuários moderados comecem a aderir.

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