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Projeto da AES Eletropaulo em Barueri aposta em frequências não licenciadas

O projeto da distribuidora de energia elétrica AES Eletropaulo para implantação de 62 mil medidores inteligentes na cidade de Barueri, região metropolitana de São Paulo,visa não apenas ensaiar uma futura expansão em larga escala da smart grid, mas também testar uma tecnologia híbrida de comunicação – por enquanto, sem participação direta de operadoras de telecomunicações. A empresa está testando uma rede completamente proprietária e dedicada, por entender que a plataforma de dados das teles não oferece garantia de qualidade de serviço (SLA).

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A solução encontrada, desenvolvida em conjunto com a Cisco e com contratos de fornecedores coma WEG, Itron e Siemens, é uma mistura de transmissão por rede elétrica (PLC) e radiofrequência em rede Mesh de baixa potência e com protocolo IPv6, o padrão 6LowPAN. Além disso, a distribuidora de energia alugará o antigo backbone ótico da AES Atimus, agora da TIM, e ainda a tecnologia WiMAX com equipamentos em postes.

No primeiro nível, o backbone de fibra da TIM interliga a Central de Operações da Eletropaulo com as subestações. Nas pontas, a distribuidora já tinha intenção de conectar os religadores automáticos, que agem na rede elétrica. A tecnologia escolhida foi o WiMAX, que será utilizado com as frequências não licenciadas de 5,4 GHz e 5,8 GHz, dependendo de cada região. "Precisávamos definir então qual seria a tecnologia que a gente utilizaria no medidor para fazer a comunicação desses medidores até a nossa rede. Queríamos que tivesse a característica de inovação, porque é um projeto de pesquisa e desenvolvimento", afirma a diretora da AES Eletropaulo, Maria Tereza Vellano.

A escolha foi a da radiofrequência Mesh em 915 MHz em conjunto com o PLC, que, na maioria dos casos, serviria como redundância para garantia de acesso. "Um dos grandes desafios que tivemos foi chamar os fornecedores com todas as características de medidor, como leitura remota, corte, funcionalidades de pré-pagamento, e ainda ter a comunicação híbrida", declara, citando a WEG, a Siemens e a Itron. "Ao mesmo tempo, precisaria de concentradores, os roteadores, para fazer a interface com o WiMAX, e isso foi feito com a Cisco, em conjunto com a Fitec (prestadora de serviços de P&D), que nos assessora na parte de comunicação", declara Maria Tereza.

Operadoras não estão descartadas

A transmissão via WiMAX das subestações até os roteadores é feita com a utilização de torres e postes, que passam pelo mesmo processo de instalação e obtenção de licenças. Algumas torres chegam a 60 m de altura, aproveitando as estações que a AES Eletropaulo possui, enquanto os postes são mais baixos, com menores antenas, e construídos (e patenteados) de forma modular, com instalação e manutenção mais fácil. A diretora diz que a utilização da frequência não licenciada em 5 GHz foi uma opção para poder testar o projeto antes do roll-out mais amplo. "Temos um grupo de distribuidores que já está vendo isso (na Anatel) para ter frequência licenciada para empresas utilizarem smart grid. Estamos fazendo parte de um grupo de trabalho para ter segurança melhor na faixa de frequência que as distribuidoras, como um todo, vão usar, porque estamos falando de transmissão de grande volume de dados", afirma.

A relação com operadoras, no entanto, ainda não está descartada. Segundo ela, as teles começam a se preparar para também prestar o serviço para as distribuidoras de energia. "A gente só vai crescer com redes inteligentes se o setor de telecom crescer junto", garante Maria Tereza. Ela explica que o projeto de telemetria é realizado com GPRS, mas acredita que precisa haver maior qualidade e garantia de SLA nessa comunicação.

O projeto tem ainda detector de defeitos com características de autoconfiguração da rede com self-healing e sistemas relacionados à medição, como o gerenciamento dos dispositivos com plataforma MDM, e a infraestrutura avançada de rede (RMI), com os roteadores da Cisco. "A ideia é trocar todos os medidores analógicos de Barueri a partir do final do ano que vem, até porque os novos precisam ser homologados. Nossa grande preocupação é fazer todo o sistema se interligar e funcionar da melhor forma, estudar como fazer o monitoramento de rede, se será interno ou vamos contratar terceiros", diz ela, citando ainda a necessidade de integração com sistema legado da distribuidora.

Parou em pé

A intenção da Eletropaulo é sair da fase de piloto para ter um projeto mais concreto em uma área metropolitana com representatividade em escala e na área em que possui concessão. "Se for considerar tudo que é necessário para ter uma smart grid, o valor é alto. Para calcular o retorno, só os gaps dessa determinada região, como comunicação, troca de medidores inteligentes, gestão de sistema de telecomunicações; e esse projeto de Barueri parou em pé, deu resultado positivo, com indicadores de qualidade e redução de perdas", afirma Maria Tereza.

A iniciativa tem previsão para ser encerrada em 2017 para validar as premissas e definir o modelo de negócios, ainda que dependendo de definições de regulação para a morticidade tarifária dos medidores e políticas públicas para que a empresa confira a viabilidade de investimentos – o Capex do projeto atual, de R$ 29 milhões em contratos e totalizando R$ 75 milhões, faz parte de um programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), financiado pela Finep. "Para um roll-out mais amplo, precisamos de regras mais claras", reclama Maria Tereza. "Hoje, o que está garantido é Barueri ter toda a manutenção com fornecedores como parceiros, mas para a empresa inteira, para toda a área de concessão, isso vai mudar, e até abre a oportunidade de negócios para outros players e para as próprias utilities para prestar serviços específicos nessa área", diz. "Negócio não é se vamos ter smart grid, mas quando vai ser."

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