Globo anuncia que vai renegociar sua dívida

A Globopar anunciou nesta segunda, dia 28, em fato relevante ao mercado, que precisará renegociar com os credores sua estrutura de capital devido à significativa desvalorização do real e à deterioração das condições macroeconômicas do País. Os bancos Goldman Sachs e Houlihan Lokey Howard & Zukin entrarão em contato com os credores. No Brasil, a assessoria será dada pelo Unibanco. Entre as contrapartidas que já são anunciadas estão a revisão dos planos de negócios, com ênfase em uma melhor geração de caixa. A Globopar e algumas empresas coligadas já estão, a partir de hoje, reescalonando o fluxo de pagamento de suas obrigações financeiras. Ou seja, a Globo não descarta a hipótese de se desfazer de ativos e os vencimentos programados daqui para frente serão pagos depois de renegociação. O fato relevante faz menção à Globopar e algumas de suas empresas controladas, o que pode incluir Globo.com, Globosat, Editora Globo e gravadoras.
A Globopar já convivia com níveis de endividamento altos em função dos seus investimentos em telecomunicações e TV paga desde meados da década de 90. No primeiro trimestre do ano, com o dólar ainda inferior a R$ 3, tinha cerca de R$ 2,6 bilhões em dívidas, boa parte atrelada à moeda norte-americana. Ao longo do ano, a dívida se deteriorou pesadamente, e estima-se que tenha crescido em cerca de R$ 1 bilhão. Nos últimos seis meses, segundo o fato relevante, a família Marinho investiu mais de US$ 170 milhões na Globopar e suas empresas controladas para gerenciar esse endividamento, capital proveniente do patrimônio pessoal da família (venda de emissoras de TV) e redução de participação em algumas empresas (como no caso da Sky). Segundo o comunicado, contudo, estes esforços não conseguiram suplantar as dificuldades do cenário macroeconômico (juros, dólar e limitações de crédito) e o alongamento esperado dos prazos de retorno dos investimentos feitos no setor de TV por assinatura, o que forçou a decisão de rever o pagamento dos compromissos.
Segundo a avaliação de alguns analistas, a Globo sofre como todas as empresas brasileiras que se endividaram em dólar nos últimos anos. O fato relevante não é uma declaração de default, dizem os analistas, mas a empresa deixa nas entrelinhas a mensagem de que se não houver renegociação não terá condições de arcar com seus compromissos. Para dezembro deste ano, estão previstos desembolsos de cerca de US$ 60 milhões entre juros e vencimentos, fora outros desencaixes não públicos.
Dentro de no máximo 90 dias a empresa pretende dar mais informações sobre o processo de reestruturação de seus negócios.

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