Prysmian desenvolverá microcabos óticos no Brasil em parceria com o CPqD

A fabricante de cabos óticos Prysmian (ex-Pirelli Cabos) anunciou nesta terça, 28, uma parceria com o CPqD para o desenvolvimento no Brasil de microcabos óticos utilizando recursos da Lei de Informática e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), uma sociedade privada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) criada em 2014 para incentivar a inovação industrial. O projeto, previsto para ser concluído em 18 meses, receberá aporte de R$ 1,5 milhão, incluindo recursos da Embrapii (cerca de 1/3 do valor, não reembolsável), da Lei de Informática e recursos próprios de da Prysmian. A diretora de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da fabricante de cabos, Valéria Garcia, entretanto, lembra que esse valor não inclui os investimentos em materiais e protótipos que devem ser feitos pela Prysmian. "Estimo despesas da ordem de R$ 2 milhões com esse projeto", revela.

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A Pysmian já fabrica e comercializa internacionalmente microcabos, mas será necessário mais do que uma simples adaptação para o mercado brasileiro. "Não é só uma tropicalização. É preciso adaptar os cabos para a topologia das redes brasileiras, condições climáticas, experiência de instalação dos técnicos. Estamos falando de tração, deformação. Temos que mudar toda a configuração, o desenho do produto", explica o diretor comercial e de marketing da Prysmian, Reinaldo Jeronymo. "Estamos há 35 anos no Brasil e queremos soluções competitivas em termos de preços globais, que tragam ao cidadão menor prejuízo de 'disrupção' de serviços e gere riquezas para o País", acrescenta o CEO da fabricante para a América do Sul, Marcello Del Brenna.

O objetivo é desenvolver um microcabo ótico específico para o mercado brasileiro com 288 fibras, um diâmetro entre 30% e 40% menor e até 50% menos peso do que os de cabos óticos convencionais. Esses microcabos podem ser instalados, por exemplo, em apenas dois dias em valas rasas, de apenas 30 cm, ao longo das calçadas de vias públicas, e podem ser uma alternativa para reduzir a poluição visual e contornar o problema de espaço para colocação de fibras aéreas em postes, muitas vezes já sem espaço para novos cabos.

"Além disso, já temos também uma operadora interessada em colocar esses microcabos dentro de tubulações existentes em que já há cabos convencionais", acrescenta Jeronymo.

Etapas

O projeto, explica Valéria, terá três etapas: desenvolver metodologias de teste para avaliar a performance dos cabos para as redes brasileiras; desenvolver materiais e produtos viáveis para as redes nacionais; e apresentação de resultados para subsidiar a normatização e certificação na Anatel. "Estamos agora entrando na fase dois e já há um grupo de trabalho há dois, três meses, na Anatel que reúne fabricantes, operadoras, instaladores, entre outros, para a normatização desses cabos. Esperamos que a norma saia no início do segundo semestre e, levando em consideração um tempo de cerca de quatro meses para homologação, esperamos começar a fabricação no primeiro semestre do ano que vem", calcula Valéria.

O CPqD está fazendo a simulação das topologias e das condições das redes brasileiras em laboratório. Os cabos brasileiros da Prysmian, por exemplo, estão sendo desenvolvidos para serem instalados em ambientes com cupins e com resistência a roedores, explica Valéria.

Investimentos

Nos últimos dez anos, a Prysmian já desembolsou R$ 150 milhões para P&D no Brasil, além de outros R$ na adaptação de sua planta para a produção de cabos especiais, além dos tradicionais cabos de fibra ótica.

Já por parte da Embrapii, o programa iniciado em 2014 já prevê um aporte total de R$ 1,4 bilhão em projetos nos próximos seis anos, para as 13 Unidades Embrapii credenciadas, em parcerias com instituições como o próprio CPqD, o CEEI-UFCG (PB), o CERTI (SC) e o Lacteq (PR). Um novo edital da Embrapii deve ser lançado no meio do ano.

De acordo com o vice-presidente de P&D do CPqD, Alberto Paradisi, já são dois os projetos com recursos da Embrapii: um para o desenvolvimento de tecnologias WDM de alta capacidade, em parceria com a Padteq, anunciada há pouco mais de um mês, e agora esta com a Prysmian. "Os dois projetos tiveram inicio praticamente ao mesmo e outros já estão em negociação com outras empresas", revela. "Temos uma equipe de doutores e mestres especializados em sistemas fotônicos e tecnologias óticas que queremos muitos projetos com as empresas que estão aí no mercado". O CPqD está credenciado como unidade especializada na área de comunicações óticas junto ao Embrapii:

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