A venda da Telecom Italia e os impactos no Brasil

É o fim da era de Marco Tronchetti Provera no mercado de telecomunicações italiano. Foi assim que a imprensa italiana tratou a operação que tirou da Pirelli o controle da Olimpia, empresa controladora da Telecom Italia, firmado neste sábado, 28. Pode-se dizer que com o acordo também é o fim da era Provera no mercado brasileiro. As implicações por aqui do acordo italiano serão muito mais amplas, como veremos.
Pelo acordo celebrado na Italia, os 80% da Olimpia hoje na mão da Pirelli (ações administradas por Marco Provera) passam para a mão de um consórcio de bancos italianos, para a Telefônica de Espanha e para a família Benetton. Hoje a Olímpia tem 18% da Telecom Italia e nomeia quatro dos cinco diretores da empresa. Passará a ter cerca de 24% da tele italiana. O maior acionista individual da Olímpia será a Telefônica, com 42%, seguida dos bancos Generali 25,5%, Mediobanca com 10,5% e Intesa Sanpaolo com outros 10,5%. O restante será da família Benetton, que hoje tem 20% da Olimpia. No futuro ainda podem entrar na sociedade os grupos Mediaset (de Silvio Berlusconi) e Immsi (de Roberto Colaninno, que já foi controlador da Telecom Italia).

Perdedores

Quem mais perdeu com a transação foi Carlos Slim, magnata mexicano, dono da Telmex e controlador do Grupo Carso, acionista da America Móvil (Claro no Brasil). Ele é quem tentava comprar a parte da Pirelli na Olímpia.
A Telefônica expandiu seus horizontes europeus, e pode mudar o xadrez brasileiro. Como será a maior acionista individual no controle da Olímpia (ainda que tenha 42% da holding, frente aos 58% dos bancos italianos), terá posição no controle da Telecom Italia. E com isso, também da TIM. Isso significa que, dependendo da formatação final do acordo na Italia e dos acordos de acionista a serem firmados, a Telefônica poderá ter posições de controle na Vivo (onde hoje compartilha o mando na companhia com a Portugal Telecom) e na TIM Brasil. É uma situação incompatível com a legislação atual, e se assim ficar configurado a Telefônica terá que abrir mão do controle de uma das duas companhias. O mesmo vale para as licenças de longa distância da TIM Brasil e da Telesp/Telefônica (a Vivo não tem autorização de longa distância própria), que também não podem se sobrepor. Certamente a operação precisará ser avaliada pela Anatel e pelo Cade. Vale lembrar que a Telefônica pode, agora, optar por negociar em melhores condições a venda de sua parte da Vivo para a Portugal Telecom.
Outro que perde com o movimento da Telefônica na Itália é o grupo Opportunity, que vinha jogando em dobradinha com Marco Tronchetti Provera. Provera é amigo de Naji Nahas, um broker que também trabalha para o grupo de Daniel Dantas. O Opportunity vinha mantendo proximidade da Telecom Italia para que um eventual comprador da TIM ou das ações da Telecom Italia na Brasil Telecom levasse também as suas ações na BrT e na Telemig/Amazônia Celular.

Governança

Marco Tronchetti Provera sai do controle da Telecom Italia sob o bombardeio da imprensa e do governo italiano, que criticam seus atos na gestão da companhia. "Governança" tem sido a palavra mais destacada pelos novos acionistas da Telecom Italia, que certamente investigarão o acordo firmado entre Provera e Daniel Dantas em abril de 2005, e que custou à Telecom Italia US$ 65 milhões, pagos a Dantas em troca de absolutamente nada (na verdade, em troca de um acordo para litígios judiciais que Dantas não tinha como entregar, e de fato não entregou).
O que provavelmente será menos problemático no Brasil é a participação da Telecom Italia na Brasil Telecom. Hoje, essa participação (38% da holding Solpart) está depositada em um fundo fiduciário, e é como se a Telecom Italia não tivesse as ações. Os novos controladores poderão decidir por vender esses papéis, mas caso o governo brasileiro, no futuro, permita a fusão entre duas concessionárias de telefonia, a Telefônica estaria bem posicionada para pleitear a fusão entre a Telesp e a Brasil Telecom.

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