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TIM teme necessidade de ‘investimentos adicionais’ no cálculo do espectro de 5G

Mário Girasole, VP de assuntos regulatórios e institucionais da TIM

A TIM tem receio que o viés não arrecadatório do leilão de 5G possa ter ressalvas. Em evento da consultoria Lide sobre 5G nesta quinta-feira, 28, o vice-presidente regulatório e institucional da operadora, Mario Girasole, destacou que “o diabo está no micro, e não no macro”, ao se referir a detalhes da modelagem proposta com a equação do Valor Presente Líquido (VPL) menos obrigações para obter um custo administrativo e plano de investimentos pelos próximos cinco a sete anos. Um desses detalhes é o preço da taxa de remanejamento para a limpeza da faixa de 3,5 GHz.

“Hoje há uma cláusula ainda sendo discutida. Caso os custos calculados para a limpeza da faixa, que depois entram na equação de preço mínimo, não sejam suficiente, serão tomadas deliberações para que vencedoras tenham aporte adicionais. Isso é absolutamente tóxico porque gera incerteza absoluta de qual será o verdadeiro custo da frequência e com a qual, hoje, as operadoras não podem arcar. É um tema crucial e vai ser debatido até a aprovação do leilão”.

Chama atenção ainda para o cálculo do VPL que pressupõe um modelo de negócios 5G ainda não consolidado, que é o foco em B2B2C (empresa-empresa-consumidor), enquanto nas gerações anteriores de celular havia praticamente apenas o B2C. No entendimento do executivo, superestimar o valor trará impacto direto nos investimentos em rede.

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Por outro lado, Girasole comemora o direcionamento da Anatel para destinação de blocos simétricos na faixa, quer sejam de 80 MHz ou 100 MHz. O executivo lembra que na Itália, onde houve blocos assimétricos (dois de 80 MHz e dois de 20 MHz), houve inflação “gigantesca” devido à ineficiência da modelagem, o que fez as empresas dedicarem mais recursos financeiros para a aquisição do espectro e menos para investimentos em infraestrutura.

Correndo atrás

Assim, o presidente da TIM, Pietro Labriola, destacou que há um “começo positivo” para a modelagem que o certame está tomando, mas reforçou a ideia de que o mercado e o consumidor sofrerão se a política pública não agir como aceleradora da tecnologia. 

“Estamos com atraso comparado a outros países, mas podemos recuperar”, disse Labriola, destacando a necessidade de liberação rápida das frequências. “Com um modelo não arrecadatório, o 5G pode virar uma das alavancas principais da retomada da economia do Brasil sem financiamento em déficit, mas com a troca de obrigações de construção de rede rapidamente”, completou.

O CTIO da TIM, Leonardo Capdeville, enxerga que há compreensão da maior abrangência do 5G em relação às tecnologias anteriores. “O que a gente vê agora é que a importância das telecomunicações começam a tomar sentido e voz em outros setores que dela se beneficiam”, afirmou, lembrando do envolvimento do Ministério da Economia no caso. “Acredito que vai ser diferente pela ciência da Anatel com a responsabilidade de leilão não arrecadatório e com o incentivo a investimento, e não limitado a telecom”, pontua.

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