Minoritários podem perder na venda da Embratel

As notícias da movimentação pela compra da Embratel continuam agitando os preços das ações da empresa. Em Nova York, a alta nesta quarta-feira, 27, passou de 8% e desde o dia 13 de novembro as ADRs avançaram mais de 40%. Mas atenção: alguns analistas advertem que o negócio, se consumado e conforme a sua configuração, pode ser extremamente prejudicial aos acionistas minoritários.
Os investidores, em princípio, poderiam acreditar que a eventual venda do controle da Embratel para a Bassini, Playfair & Wright e para as três maiores operadoras de telefonia fixa poderia proporcionar uma valorização espetacular do papel. Principalmente se o negócio se fizesse, como é mais rotineiro, pelo valor patrimonial de R$ 4,606 bilhões, ou seja, R$ 888 milhões (sem considerar prêmio de controle) pelos 19,26% do capital total pertencente à WorldCom. Nesse caso, cada ação seria adquirida por R$ 13,88, ou nada menos de 287,7% acima da cotação das ON registrada nesta quarta-feira, dia 27. Se for feita uma oferta pública, com o direito aos minoritários de vender seus papéis na base de 80% do preço pago aos controladores, cada ON ficaria em R$ 11,10, assim mesmo com uma tremenda rentabilidade de 210% sobre o valor atual. Mesmo os portadores de preferenciais (PN) poderiam se beneficiar, se não pela oferta pública, pelo potencial de recuperação e lucratividade da empresa.
Jacqueline Lison, da Fator Doria Atherino é uma entre os profissionais que fazem ponderações a respeito dessa suposta vantagem para o minoritário. Ela adverte sobre a possibilidade da entrada da Bassini, Playfair & Wright, da Brasil Telecom, da Telemar e da Telefônica não pela via da oferta de compra de ações, mas da injeção de recursos para abater parte da dívida de R$ 4,4 bilhões da Embratel, compensados por um aumento de capital. Isso, em si, implicaria a diluição da participação dos acionistas. Fora isso, a entrada das três operadoras de telefonia fixa na companhia poria em risco um dos melhores segmentos da Embratel, de clientes corporativos, alvo da cobiça da concorrência. Outro analista ainda sugere o risco de reavaliações do próprio valor patrimonial da empresa, por meio de provisionamentos mais fortes para pendências jurídicas e mesmo para inadimplências.

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O negócio pode ou não pode sair?

As oscilações dos preços das ações da Embratel nas bolsas seguem rigorosamente as declarações contra ou a favor quanto às possibilidades de realização do negócio.
Se depender da controladora, a WorldCom, dona de 19,26% do capital total e de 51,79% das ON, não tem conversa. A empresa teria muito a ganhar se a Embratel voltasse para as mãos do poder concedente, o governo, que a ressarciria ao menos do capital efetivamente empregado na rede e nos sistemas.
Fora isso, em princípio, a reunião das três grandes operadoras enterraria o espírito da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), principalmente no que diz respeito à concorrência no setor.
No entanto, fontes em diferentes posições no mercado – inclusive ligadas ao novo governo — temem que esteja em andamento a criação de artifícios para viabilizar a venda. Seria formado um fundo pela Bassini, Fairplay & Wright, em bases semelhantes às do CVC/Opportunity, mantendo as operadoras formalmente fora do controle. A dúvida é se o governo do PT concordaria com isso.
O que intriga parte dos especialistas do setor é que, em encontro com técnicos e políticos focados em telecomunicações, o presidente eleito Lula teria se mostrado muito sensível a uma solução desse tipo. Mesmo porque, até o momento, ninguém ainda citou financiamentos do BNDES.

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