TV paga ainda tem oportunidades para teles

Com a confirmação de que a Telefônica efetivamente comprou a TVA, o mercado de TV por assinatura passa a ser novamente assunto na mídia. Quem comemora, são os pequenos e médios operadores de TV paga, que agora começam a vislumbrar a possibilidade real de ter seus negócios nas mãos das teles. A verdade é que há vários meses, tanto a Net Serviços (que tem por trás a Embratel) como as três incumbents locais (Telefônica, Telemar e Brasil Telecom) já estão esquadrinhando o mercado de TV paga em busca de oportunidades.
As maiores já se foram: a Vivax, jóia do interior de São Paulo, ficou com a Net. A TVA, que vale principalmente pela outorga em São Paulo e Rio e pelas freqüências de MMDS, também já foi, para a Telefônica. A Telemar comprou uma que não é de grande porte, a WayTV, mas colocou o pé no mercado.

Oportunidades

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Sobram algumas peças importantes ainda no quebra cabeças da TV paga, mas em cidades menores. São mais de 150 operações nas mãos de cerca de 50 grupos empresariais. Ao todo, estas operações somam pouco mais de 520 mil assinantes, com base nos dados da empresa de pesquisas de TV paga PTS (ligada a esta editora).
A maior entre elas é a TV Cidade, uma MSO que está em 18 cidades, a maior parte na região da Telemar. Algumas outorgas da TV Cidade são importantes, com destaque para as de cabo em Salvador, Recife (incluindo região metropolitana), Aracaju e Niterói. A TV Cidade tem cerca de 100 mil assinantes, mas uma complicada situação societária e um passivo maior que o valor de mercado. Já existe uma oferta da Net Serviços (Embratel, portanto) pela empresa, segundo fontes do mercado. A venda é iminente.
Em seguida, a segunda maior operadora no mercado é a BigTV, ligada ao grupo Alusa, com operações no interior do Paraná, interior de São Paulo (incluindo Guarulhos) e em algumas capitais do Nordeste. A BigTV tem cerca de 70 mil assinantes e já contratou um banco para assessorá-la nesse momento. Várias são as possibilidades, que vão desde uma parceria com empresas de telecomunicações, associação com outras empresas de TV paga e até mesmo a abertura de capital. Não há nada em vistas de ser fechado, segundo apurou este noticiário.
A Viacabo é outra operadora de cabo de médio porte, com cerca de 50 mil assinantes espalhados em 15 operações, em todas as regiões do Brasil. Trata-se de uma operação que também já passou por um processo de prospecção de mercado, buscou compradores e que, curiosamente, foi a primeira a ter uma parceria com uma empresa de telecomunicações, ainda em 2002, quando chegou a ter um acordo com a Brasil Telecom para testes de IPTV, o que nunca se concretizou.

MMDS

A ITSA é outra operadora importante entre aquelas de médio porte. Trata-se da antiga TV Filme, hoje com pouco mais de 40 mil assinantes, e operadora de MMDS em quatro cidades (incluindo Brasília, Belém e Goiânia) e que tem ainda outorgas de MMDS em estágio pré-operacional em várias cidades, incluindo Belo Horizonte e algumas cidades do interior paulista. A ITSA está em processo de negociação há vários anos, e atualmente tem dois caminhos a seguir: uma parceria com uma empresa de telecomunicações, que está em andamento, e uma associação com outros operadores de MMDS para a construção de uma rede nacional. O MMDS, como se recorda, opera na faixa dos 2,5 GHz e ocupa cerca de 200 MHz do espectro. É considerado uma das melhores faixas para serviços de WiMax.
Entre as operadoras de MMDS, há a Acom, uma operadora ligada ao grupo português SGC com pouco mais de 20 mil assinantes e que opera em cidades do Nordeste e Manaus. No Sul, o destaque entre as operadoras de MMDS é a Viamax, com pouco mais de 10 mil assinantes e operações em Santa Catarina, incluindo Florianópolis. Outro destaque entre as operadoras de MMDS é a Sunrise, que não tem operações comerciais mas controla várias outorgas no interior de São Paulo. Fora isso, há operações de algum porte em Aracaju (Teleserv) e Fortaleza (TV Show).

Operações-solo

Entre as operadoras de cabo, deve ser ainda destacada a presença do grupo Escelsa pela operadora ESC90, em três cidades do Espírito Santo, com mais de 25 mil assinantes. A Videomar, em Fortaleza, é também uma operadora de cabo com mais de 33 mil assinantes, o que é um número elevado para uma operação isolada. A CTBC tem três operações no triângulo mineiro com cerca de 31 mil assinantes ao todo, e o grupo RCA, controlador de 19 operações em pequenas cidades de vários estados, tem cerca de 22 mil assinantes.
Só para que se tenha uma idéia de como essa pequena parcela restante do mercado de TV paga é fragmentada, existem no interior de São Paulo cerca de 22 operações em cidades pequenas que não estão ligadas nem à TVA, nem à Vivax nem à Net Serviços, e que, portanto, não tem vínculos com empresas de telecomunicações.

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