Chance de Seja Digital atuar na mitigação do 3,5 GHz é tratada com cautela

Espectro eletromagnético, radiofrequência, frequência

Diante da interferência que o serviço móvel 5G em 3,5 GHz deve gerar sobre os sistemas residenciais de TV via satélite (TVRO), a possibilidade da Empresa Administradora da Digitalização (EAD/Seja Digital) assumir a política de mitigação na faixa foi tratada com cautela durante o primeiro dia da SET Expo, que começou nesta segunda-feira, 26, em São Paulo. Enquanto representante da Claro sinalizou que a opção deveria ser considerada, a própria entidade destacou que sua função é exclusivamente voltada à limpeza do 700 MHz após o desligamento da TV analógica.

"A Seja Digital foi criada para o leilão de 700 MHz com o objetivo de liberar, remanejar e mitigar canais nesta faixa. Quando terminar esse trabalho, ela por si só se extingue. Caso haja necessidade, o novo edital deve trazer uma empresa que faça [a mitigação em 3,5 GHz]", afirmou o diretor de tecnologia da Seja Digital, Gunnar Bedicks. "Dá para usar a experiência com todo o trabalho que foi feito, mas a estrutura que existe hoje tem que se extinguir após o trabalho proposto".

"Os recursos que mantêm a Seja Digital são do leilão de 700 MHz e não poderiam ser aplicados em outra faixa, a não ser que Anatel ou o MCTIC tomem essa decisão", prosseguiu o diretor. "Mas da forma que está, o recurso iria talvez para outros projetos que estão sendo discutidos hoje". Entre as destinações já aventadas para o uso do saldo da EAD está o financiamento do Projeto Amazônia Integrada e Sustentável (PAIS), além de projetos de digitalização da TV no interior.

Já para o consultor de engenharia da Claro, Carlos Alberto Camardella, a opção da EAD atuando na mitigação do 3,5 GHz poderia ser uma boa alternativa. "Se a entidade já está criada, tem sobra de recursos do 700 MHz, aproveita e põe ela para fazer esse negócio", argumentou o representante. A empresa defende que receptores LNBF sejam instalados nas parabólicas como forma de evitar interferência do serviço móvel em 3,5 GHz sobre os sistemas TVRO, em decisão que precisa ser tomada pela Anatel durante a elaboração do edital 5G.

O consultor, contudo, entende que a criação de um novo ente também não representaria problemas, caso fossem seguidos os mesmos moldes da limpeza do 700 MHz. "Sou contra deixar na mão das operadoras. Se vai ser a EAD ou um organismo 'EAD-like', para mim tanto faz. O importante é que ele seja agnóstico, fora das operadoras, para evitar briga, se não ninguém faz nada nem paga o LNBF".

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