Operadoras de TV paga não devem se adaptar ao Ginga

Está áspera a relação entre TVs abertas e por assinatura quando o assunto é a interatividade. Em painel na tarde desta quinta, 27, no Congresso da SET, TVA, Net e Via Embratel apontaram as principais dificuldades para harmonizar as aplicações feitas para o middleware do ISDB-T com os sistemas adotados nos set-tops do cabo e do DTH.
"Para ter o Ginga em nossas caixas, precisaríamos de muito mais memória e processamento, além de uma adaptação e personalização dos aplicativos", disse Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA/Telefônica. "Além disso, nosso middleware hoje cuida de muitas coisas, como opção de som e legenda, por exemplo. Imagine se o assinante entra no Ginga para rodar uma aplicação e perde a legenda", completou, lembrando que o set-top é subsidiado pela operadora e não pode custar mais caro para incluir o Ginga.
Na mesma linha, o diretor de tecnologia do Via Embratel, Claudio Zylberman, disse que a prioridade é a usabilidade e a simplicidade da caixa. "Vemos interatividade como algo para agregar à TV, não substituir. Por isso, o mais importante para nós é o EPG, é onde estamos focando", disse. Se for rodar alguma aplicação do Ginga, completou, ela teria que ser convertida para o OpenTV, middleware adotado pela operadora.

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Ele apontou algumas opções para a integração, como a adoção de tradutores de um middleware para o outro, ou até a inclusão do Ginga nas caixas, o que está, segundo ele, descartado pela complexidade e custo que traria.
Em outro painel, o diretor de engenharia do SBT, Roberto Franco, chamou de "um erro" o fato dos middlewares serem diferentes. "Estamos diante de uma dificuldade. A conversa para harmonizar o sinal HD já começou, mas a da interatividade ainda não", disse.
Em resumo, não há por parte dos operadores intenção de aumentar seus custos por causa do novo middleware da TV aberta. Ou, como colocou Virgílio Amaral ao final do painel: "os broadcasters acham que o mundo gira em torno do Ginga, mas o Ginga não é compatível nem com ele mesmo. Ele é que tem que ficar compatível com o que já existe há anos".

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