Ligga Telecom vê consolidação no mercado de fibra e 5G com foco no mercado corporativo

Wendell Oliveira, CEO da Ligga Telecom, em entrevista ao TELETIME Live

A Ligga Telecom acredita que o cenário competitivo na banda larga fixa esteja mudando, com um processo de amadurecimento do mercado e uma espécie de seleção natural dos players, em função das crescentes necessidades de investimentos. "A situação econômica vai forçar uma consolidação do setor. Muitos ISPs trabalham na informalidade, sem pagar imposto nem postes. E com as taxas de juros atuais essas empresas têm dificuldade de crescer. Em telecom, se você não investe, o negócio desaparece, e por isso vemos uma oportunidade de consolidação e profissionalização, e vamos tirar proveito disso", diz Wendell Oliveira, presidente do grupo, que contempla a antiga Copel Telecom, a Sercomtel e que levou licenças de 5G no Sul, São Paulo e Norte do país. Wendell Oliveira concedeu uma entrevista exclusiva ao TELETIME Live, que pode ser assistida na íntegra aqui:

Aquisições

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A origem do grupo está no mercado de fibra, para o qual acredita haver ainda muito potencial de crescimento orgânico e inorgânico. "A nossa ambição sempre foi mais do que as fronteiras do Paraná. Ganhamos o que a gente queria e pagamos o menor ágio. Deixamos de ser um player regional e é questão de tempo para nos consolidarmos como um player nacional", diz Oliveira. Ele cita a compra da Nova Fibra, realizado em fevereiro e em processo de concussão. "Chegamos a 400 mil clientes de banda larga e logo teremos 1 milhão. Temos uma estratégia forte em crescimento orgânico, porque tem demanda reprimido, mas temos um plano de aquisição, porque é difícil ampliar em outras regiões sem acesso a postes, onde o mercado está bem estabelecido", diz ele na entrevista. "Há espaço para crescimento orgânico, mas em muitas praças é um jogo de rouba-monte. O diferencial é ter qualidade, estabilidade. Ainda vemos um processo de canibalização de preços, mas a gente faz questão de não entrar nisso, e isso está ligado à informalidade".

Ele lembra que operadoras que jogam dentro das regras acabam tendo uma desvantagem competitiva. "O nosso custo de poste é o segundo maior, só perde para o ICMS".

Postes é um dos temas que preocupa a Ligga. "O problema dos postes deveria ter solução porque não podemos ter um cenário com 15 cabos onde deveria haver cinco. Nós temos 100% de regularidade e temos que lutar para que isso seja moralizado. As distribuidoras precisam moralizar porque a gente paga por isso".

A Ligga Telecom levanta um outro problema: a necessidade de uma precificação diferenciada de postes em função da renda da região. "É um tema sério. (Em áreas rurais) o poste custa o mesmo do que na Faria Lima, o que desmotiva a regularização e a oferta de serviços. A Anatel mostra-se muito motivada, mas vamos fazer uma força para resolver esse problema e o da ilegalidade".

Rede neutra e 5G

A Ligga Telecom também se prepara para a entrada no mercado de 5G com uma estratégia, por enquanto, focada no mercado corporativo. "O 5G vai ser muito disruptivo no segmento B2B, e a vida das empresas em diversos segmentos em que pretendemos agregar muito valor. A ideia é levar tecnologias para nossos clientes e o 5G é um veículo, como a fibra, e vamos ter não só engenheiros de telecom e TI, mas uma multidisciplinariedade em diversas áreas. Grande parte dos clientes corporativos são nossos e conseguimos sentar com eles e entender o problema", explica Wendell Oliveira.

Sobre a escolha dos fornecedores de tecnologia parceiros, ele diz: "não teremos casamento com A, B ou C, é um processo. Acreditamos no modelo de rede neutra, mas não começaremos do zero". Ele diz que já existem conversas, por exemplo, com a Winity. "Temos a perspectiva boa de que a empresa que levou a faixa de 700 MHz seja o operador neutro, oferecendo a nossa rede de fibra e eles entrando com as frequências".

A Ligga Telecom também partilha da posição manifestada por outros operadores regionais de defesa da precificação de roaming que a Anatel promoveu, e cujos cálculos estão sendo questionados pelas grandes operadoras na Justiça. "A sugestão da Anatel foi um termo médio, e achamos que o que ela definiu precisa ser cumprido. Se for cumprido, ficaria bom para todo mundo. Eu vou precisar de roaming nas outras regiões e é importante que isso aconteça logo". Ele não se mostra, contudo, muito inclinado a ser um comprados dos ativos que as operadoras compradoras da Oi Móvel terão que se desfazer. "Precisamos estudar, porque não sei como estão as qualidades desses ativos. Mas as frequências são muito interessantes", diz ele.

Interesse na concessão da Oi

Dentro do grupo Ligga, a Sercomtel é uma concessionária de telefonia fixa e, por isso, sofre as mesmas dores das grandes operadoras, especialmente na questão da migração do modelo de concessão para autorização. "O valor (colocado pela Anatel para a migração) está muito acima do que a gente imaginava, e nem foi para o TCU. Pode ser maior. Vamos ter que sentar com os órgão para ter um ganha-ganha, pois não é minimamente viável fazer um aporte de R$ 200 milhões. Todas as empresas ficaram assustadas", diz ele.

Paradoxalmente, contudo, a Ligga Telecom se mostrou interessada em comprar a concessão da Oi, caso ela venha abrir mão da concessão a partir de 2025.  "A aquisição da(concessão) Oi pode fazer sentido porque é um mercado ainda muito grande. No (segmento) PME e corporativo pode fazer sentido. E as concessões antigas têm um direito de passagem garantido nos postes. Dependendo da matemática, pode fazer muito sentido".

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