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Na China, operadoras e governo miram cooperação e ignoram fair share ou assimetria com empresas de Internet

Abertura do MWC Shanghai 2023

Existe uma diferença imensa entre o Mobile World Congress em Barcelona, realizado em fevereiro, e a edição asiática de Shanghai, que acontece esta semana: a pauta e a mensagem de prioridade das operadoras de telecomunicações.

Enquanto em Barcelona a agenda dominante estava relacionada à divisão entre empresas de Internet e empresas de telecomunicações no que diz respeito aos investimentos e captura de valor da economia digital, a versão chinesa sequer cita as empresas de Internet. É como se elas não fossem um problema ou desafio estratégico e competitivo. As palavras de ordem para as operadoras chinesas são cooperação, padronização, colaboração e integração com outros setores econômicos.

Não se fala em “fair share” (compartilhamento justo de investimentos em rede e receitas dos serviços de Internet), assimetrias regulatórias com o setor de Internet e, obviamente, nada relacionado a regulação de big techs. Nem uma palavra sobre as preocupações ocidentais por parte dos principais executivos da China Telecom, China Mobile ou China Unicom, as três maiores operadoras de telecomunicações chinesas que, sozinhas, representam 58% do mercado de 5G no mundo, com mais de 660 milhões de usuários e mais de 2,4 milhões de base stations. Nem mesmo a GSMA, associação global de operadores que em Barcelona é a grande promotora da agenda de equalização do ecossistema digital trouxe o tema para sua fala inicial que abriu o MWC Shanghai 2023.

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A razão para isso é mais ou menos óbvia: as empresas operadoras chinesas têm o Estado como principal acionista, e o mercado de Internet é muito diferente do ocidental, com restrições de acesso às empresas norte-americanas e forte presença de players chineses de Internet. 

Mas a mensagem de cooperação, integração e padronização trazida pelas operadoras chinesas traz uma lição importante: mostra que as operadoras locais estão diretamente envolvidas no processo de inovação, seja das aplicações focadas no consumidor final (B2C) quanto nas aplicações corporativas (B2B). A mensagem é de que são elas, as operadoras de telecom e não as empresas de Internet, que lideram o processo de inovações na camada de serviços digitais.

Por parte do governo, a mensagem das autoridades vai na mesma linha. Zhuang Rongwen, diretor da administração de cyberspace da China, e Zhao Zhiguo, engenheiro chefe do Ministério da Indústria e Transformação Tecnológica, também mantiveram seus discursos na linha da cooperação e colaboração entre diferentes atores.

Segundo Zhao Zhiguo, há algumas prioridades do governo: consolidar a infraestrutura em áreas remotas e rurais e levar 5G para o desenvolvimento de novos modelos de negócio em diferentes setores econômicos; criar novas aplicações; e ampliar a cooperação do governo com outras áreas. (O jornalista foi ao MWC Shanghai a convite da Huawei)

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