Nextel passa 1 milhão de clientes no Brasil e observa 3G e WiMax

Aparentemente isolada como operadora de serviços móveis por meio da licença de trunking, a Nextel, afinal, parece estar se dando bem. Mesmo sem todos os recursos tecnológicos oferecidos pelas operadoras com redes CDMA e GSM, os clientes da Nextel se mantêm na base por cinco anos, em média, o que garantiu à empresa uma taxa de churn, ou desligamento de assinantes, de 1,4% durante todo o ano passado (1,9% em 2005) e de 1,3% no primeiro trimestre de 2007 ante 1,5% no primeiro trimestre de 2006. Ou seja, enquanto os concorrentes oferecem celulares grátis, pacotes de minutos e multimídia em troca de um contrato de fidelidade de 12 ou 18 meses, a Nextel retém mais ainda sua base.
Mas para não abusar da fidelidade, a companhia também presta atenção na evolução tecnológica. Sua controladora NII Holdings estuda a compra de espectro para a oferta de WiMax e banda larga no Brasil, renovou com a Motorola o contrato para uso e desenvolvimento da tecnologia iDEN até 2012 e promete levar a 3G para sua base, se o cliente assim desejar.
Acontece que os usuários ainda não pedem 3G e a empresa não está certa de que eles estão dispostos a pagar para ver TV e outras mídias no celular e também arcar com outras tarifas. Majoritariamente composta por assinantes corporativos ou profissionais liberais, a carteira de clientes da Nextel Brasil garantiu à empresa uma receita média por assinante (Arpu) de US$ 49 no primeiro trimestre de 2007 ante US$ 45 em igual período de 2006 (+8,8%). ?Temos um diferencial com o PTT (push-to-talk – botão para comunicação via rádio) e somos os únicos a oferecer conexão direta internacional via rádio?, disse a gerente sênior de marketing e comunicações corporativas da NII, na Flórida, Claudia Restrepo.
A empresa comprou blocos de freqüência de 50 MHz no México, Peru e Argentina, e faz estudos para uso de WiMax e banda larga. Segundo Claudia, é o caminho para a evolução dentro da iDEN. Surgiram boas oportunidades para essas aquisições e agora não há prazo para a oferta de serviço. Estudo idêntico está sendo feito no Brasil. A controladora avalia também a consolidação com outras empresas da América Latina. Segundo Claudia, o mais inteligente seria comprar outras empresas que também operam rádio, mas não existem muitas. No Brasil, Peru, Chile e México só existe iDEN Nextel. A saída, então, é tentar crescer por meio de espectros diferentes.
Na Argentina há a Movilink, que também usa iDEN, mas a estratégia e a maneira de vender são totalmente diferentes entre as duas empresas. Os principais clientes querem um atendimento só para eles, e este serviço é muito importante esse mercado. Por isto, o churn é tão baixo, explica a gerente.
Para 2007, o foco do grupo será no Brasil. O plano é expandir a rede para uma cobertura adicional de 9 milhões de pessoas, principalmente no Brasil e México, e completar a expansão iniciada há dois anos. A holding lançou serviços em duas cidades no México e em oito no Brasil, durante esse trimestre.
Em 2006, a concentração de investimentos foi no México, onde a rede tem cobertura de 80% e a Arpu foi de US$ 77 no ano, maior que nos Estados Unidos – a holding fechou com Arpu de US$ 58 e o Brasil com US$ 46 no mesmo período. Mas no balanço do primeiro trimestre de 2007, a Arpu da Nextel México caiu quatro pontos percentuais para US$ 75, enquanto a do Brasil subiu três pontos, para US$ 49, e a da holding se manteve igual. A receita operacional do Brasil no trimestre foi de US$ 163,2 milhões (+52,9%) e a receita com aparelhos digitais e acessórios foi de US$ 8,1 milhões (-5,8%).

Balanço consolidado

No balanço trimestral consolidado, as adições líquidas de clientes atingiram 289 mil – 47% acima do primeiro trimestre de 2006, com um total de 3,7 milhões de usuários. O Brasil, que figura nesses resultados com 981 mil assinantes, ultrapassou um milhão antes do final de abril. A receita operacional consolidada cresceu 35% no trimestre, para US$ 714 milhões, um recorde para a empresa. O Ebitda de US$ 208 milhões (+36%) do período também foi recorde. A NII também relatou US$ 1,14 bilhão de dívida de longo prazo.

Motorola mantém investimento

O negócio iDEN tem crescido 40% ao ano há três anos aqui e 35% em outros mercados. Tudo indica que continuará assim, afirma o diretor de negócios da Motorola para a América do Sul, Marco Arruda. Em comparação com a 3G, o compromisso é atender plenamente usuário iDEN, disse Arruda, afirmando que a tecnologia estará pronta para acompanhar a Nextel no caminho que ela escolher. Nos EUA tudo indica que o caminho a seguir será WiMax, mas ele não sabe se é este o caminho para a América Latina. No Brasil depende do que a Nextel conseguir no leilão do WiMax. ?A batalha se decide com o usuário final, com o que ele quiser?, opinou o executivo.

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