Para operadoras, realidade pesa contra 5G

Apesar de todo o barulho em torno do lançamento das primeiras redes 5G e de o tema ter dominado praticamente todos os debates ocorridos esta semana no MWC 2019, realizado em Barcelona, nem todas as operadoras enxergam esta realidade só pela ótica positiva. Existem preocupantes diferenças na realidade regulatória e econômica de países em desenvolvimento que preocupam alguns operadores globais, da mesma forma que os investimentos assustam aqueles que se posicionam para entrar no mercado móvel.

Para Hatem Dowinar, CEO da Etisalat, operadora que atua no Oriente Médio e África, ao mesmo tempo em que o 5G é uma realidade muito próxima de mercados mais ricos da operadora, como o Kwait, o grande desafio em países da África, por exemplo, ainda é a expansão das redes 4G, e o 5G é um sonho distante. "Há mercados para 5G e aplicações bastante relevantes, mas não se pode perder a noção da realidade. Há dois lados da moeda: acelerar 5G em alguns mercados mas em outros ainda estamos lutando para implementar 4G. E os preços do handset 5G são elevados, muitas vezes custando quase dois anos da renda do nosso usuário".

Mike Fries, CEO da Liberty Global, uma empresa com mais de 40 milhões de clientes de TV a cabo e que tem o mercado de celular como secundário, se diz assustado com a dimensão dos investimentos. "Nós operadoras precisaremos de US$ 2,3 trilhões nos próximos 5 anos para colocar essa infraestrutura 5G no lugar. Isso assusta qualquer um. 5G será uma evolução e o caminho é ir devagar, possivelmente começando a partir de mercados verticais", diz ele. "Temos visto perda de receitas nos serviços móveis e isso é é sempre um problema.E temos pressões regulatórias e competitivas", diz ele, lembrando que em mercados como o Europeu existem mais de 450 operadoras, incluindo as MVNOs.

Para Andrew Penn, CEO da australiana Telstra, se a indústria de telecomunicações não for rápida, certamente sofrerá no 5G o mesmo problema que viveu na banda larga fixa ou no 4G. Será apenas uma provedora de conectividade, perdendo a maior parte do valor gerado com os novos serviços para as empresas de Internet.

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