Serviços over-the-top também assustam operadoras móveis

Para toda a indústria de telecomunicações, o crescente fenômeno dos serviços que rodam sobre a rede de banda larga, conhecidos como over-the-top (OTT) e oferecidos por empresas como Google, Netflix e outras, são um pesadelo. No caso das operadoras móveis, o pesadelo está apenas começando, já que apenas recentemente, com a popularização dos smartphones, o tráfego de vídeo e serviços em nuvem começou a ser uma realidade. Para Franco Bernabè, presidente da GSM Association e da Telecom Italia, os serviços OTT são ao mesmo tempo uma oportunidade e um grande desafio. "São serviços demandados pelos usuários, que criam tendências e que mostram o caminho a seguir", diz ele. "Mas por outro lado, nem sempre estes serviços entendem a complexidade da rede e como respeitá-la". Um problema clássico apontado pelos engenheiros de telecomunicações é o excesso de aplicativos que solicitam informações sobre a localização do usuário. Esse é um tipo de comunicação extremamente danoso à rede pois acontece, muitas vezes, sem que o aplicativo esteja sequer sendo rodado.

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Bernabè relembra que o tráfego de dados cresceu, de 2000 para cá, 8 vezes nas redes móveis, e deve ser multiplicado por 18 vezes nos próximos 5 anos. "Hoje, apenas 12% da base das operadoras móveis é composta por smartphones, mas eles já geram 80% do tráfego na rede", diz.

Para ele, é importante que toda essa inovação criada por serviços over-the-top venha, primeiramente, de plataformas abertas, "e que entendam e respeitem a complicação das redes móveis, sem sinalização desnecessária que muitas vezes derrubam as redes", alertou.  A sinalização é um drama para as redes móveis, mais grave até do que o tráfego de dados em si. Trata-se da comunicação entre aparelhos e a rede que acontece independentemente de o usuário estar utilizando algum serviço. Os sistemas operacionais abertos a múltiplos aplicativos, como Android e iOS, da Apple, são especialmente agressivos em relação à sinalização que geram na rede móvel. "Esperamos ter 353 milhões de usuários LTE em cinco anos, então essas questões se tornarão ainda mais críticas", disse.

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