Em meio à crise, operadoras móveis deixam de conversar sobre compartilhamento

Até agora, os efeitos da suspensão das vendas dos serviços móveis da TIM, Claro e Oi geraram o movimento de resposta das empresas à sociedade sempre com um discurso parecido: o de que os investimentos serão realocados e antecipados e que as empresas estão comprometidas com a manutenção dos investimentos. Nenhuma delas sinalizou com dinheiro novo, e em todos os casos foi pedido ao governo que se esforce para acelerar o processo de licenciamento de antenas, discurso que também foi adotado pela Vivo e pelo SindiTelebrasil. Mas as empresas não falaram, contudo, de iniciativas que poderiam ser tomadas entre elas, como compartilhamento de sites e redes e construção de infraestrutura comum. Não é por acaso: as empresas não estão se entendendo em relação a esse aspecto. Como existe uma discrepância muito grande entre elas no que diz respeito a redes 3G (a Vivo, por exemplo, está disparada na frente em termos de cobertura territorial), as conversas sobre troca de infraestrutura estão esbarrando em estratégias comerciais que se aproveitam, justamente, destas diferenças. Com as regras assumidas pelas empresas no leilão de 4G, será necessário ainda expandir em 40% a cobertura 3G em relação ao que a Vivo tem hoje, para assegurar o 3G em todo o Brasil, como pede o edital.

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Lição de casa

Para o vice-presidente de assuntos institucionais e regulatórios da TIM, Mario Girasole, o tema é extremamente relevante, mas ele não atribui a isso os problemas da TIM. "Acredito que cada um está preocupado agora em fazer a sua própria lição de casa, mas certamente passado esse momento e com uma sinalização clara do governo nesse sentido, as empresas voltarão a conversar". Ele ressaltou que o regulamento de EILD (Exploração Industrial de Linha Dedicada) aprovado pela Anatel é positivo e precisa ser colocado em prática agora, assim como o PGMC (Plano Geral de Metas de Competição), ainda em fase de análise. Girasole participou da entrevista dada pelo presidente mundial da Telecom Italia, Franco Bernabè, em Brasília.

O próprio Bernabè foi mais longe sobre o tema e lembrou que em outubro acontecerá no Brasil, pela primeira vez, uma reunião de board da GSM Association (da qual ele é presidente). Ele diz que esse será um local adequado para discutir questões como compartilhamento de infraestrutura. "Será um momento em que, espero, possamos voltar a falar com vocês para dar boas notícias e não para falar sobre crises", disse.

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