O caminho da TIM na cobertura do agro às rodovias

Paulo Humberto Gouvêa, Diretor de Soluções Corporativas da TIM - Foto de divulgação

A TIM tem se destacado pela sua estratégia voltada para a cobertura de áreas rurais e rodovias. Desde 2018 a empresa tem patrocinado de maneira consistente iniciativas de promoção do uso do 4G na faixa de 700 MHz em áreas rurais, e mais recentemente passou a atuar junto a concessionárias de rodovias em parcerias para ampliar conectividade nas estradas. São movimentos que estão relacionados. Segundo Paulo Humberto Gouvêa, diretor executivo de soluções corporativas da TIM, a atenção a estes dois segmentos, especialmente agro e logística, está relacionada a uma decisão estratégica da empresa de definir mercados prioritários. Eles se somam ao segmento de indústria 4.0 e utilities.

"Eram segmentos muito relevantes para a economia brasileira, especialmente o agro, que recebiam pouca ou nenhuma atenção das operadoras móveis", diz ele a este noticiário.

Segundo Gouvêa, a faixa de 700 MHz se mostrou ideal para a cobertura rural, pelo alcance possível e pela eficiência do 4G tanto para aplicações de conectividade de voz e dados, quanto para aplicações de Internet das Coisas. "Alguns clientes nos relataram que por mais de 10 anos não tinham das operadoras móveis nenhuma solução viável".

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Parceria e associação

Uma das primeiras iniciativas da TIM foi dar suporte à associação ConectarAgro, que envolvia também atores importantes do ecossistema do agronegócio, como fabricantes de equipamentos agrícolas e grandes grupos produtores. Começaram os primeiros projetos-piloto, como a parceria com a Jalles Machado, em Goianésia/GO. 

O modelo de viabilização da cobertura traz um esforço de co-investimento entre TIM e os grupos econômicos interessados na cobertura de grandes áreas produtivas que precisam de conectividade. Mas a análise leva em consideração também a população que será afetada por esta cobertura nas áreas rurais e outros benefícios indiretos, como cobertura de estradas e escolas. Hoje a TIM já tem parcerias que viabilizaram a cobertura de 17 milhões de hectares no campo, com estimativa de chegar a 20 milhões até o final do ano.

Segundo Gouvêa, todos os grupos de agro estão com a TIM em algum projeto, com centenas de milhares de propriedades rurais atendidas. "O total de área plantada da BP Bunge Bioenergia para o projeto é de 450 mil hectares. Porém, a cobertura total proporcionada é de 3 milhões de hectares espalhados pelos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Tocantins", exemplifica.

Do agro à logística e às estradas

Ele chama a atenção para o fato de que todos os grandes grupos do agronegócio serem, também, grandes grupos de logística, pela necessidade de escoar a safra e acompanhar a distribuição da produção até o consumidor final. "Esses projetos no agronegócio é que abriram a porta para avançarmos na cobertura dedicada ao segmento de logística".

Segundo Gouvêa, também contribuiu para esse avanço estratégico o contrato com o grupo automobilístico Stellantis para fornecer a conectividade dos veículos das marcas associadas. "Foi um impulso a mais, além de toda a relação que a gente já vinha desenvolvendo com o agro, para começar a olhar para as estradas", diz Gouvêa.

As parcerias para conectividade em estradas vieram a partir de uma demanda da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que ao licitar a administração de trechos de rodovias federais para a iniciativa privada, incluia cláusulas nos contratos exigindo conectividade, sobretudo para a comunicação de emergências e incidentes nas estradas. Foi a TIM quem tratou de convencer as concessionárias que o melhor caminho seria a adoção de uma rede pública de 700 MHz.

"Os editais da ANTT falavam em conectividade, mas era para ser WiFi, substituindo o call box por uma tecnologia de comunicação. Em São Paulo isso já existia há muito tempo e era uma rede privativa. O que a gente fez foi colocar às concessionárias, procuramos a ANTT e propusemos que o LTE 700 MHz eram a melhor alternativa, porque já estava integrado com a rede pública", diz o executivo da TIM. Resultado: as concessionárias passaram  a contratar esse serviço, muitas vezes em processos de licitação aberta, e a TIM saiu vencedora de alguns dos contratos mais importantes.

"O primeiro edital de renovação das Rodovias Federais foi o da Dutra, que falava em conectividade sem falar em tecnologia. Trabalhamos para poder ser 4G LTE, e isso acabou virando uma orientação da ANTT", explica.

Da cobertura ao big data

"Quando coloco a rede móvel estou não apenas cobrindo a rodovia, mas o agro e a população rural de cidades que vivem próximas. Isso conecta pessoas, portanto", diz. Hoje a TIM tem 4,7 mil km de estradas já contratadas por meio desse tipo de parceria. "É o tipo de projeto que você sabe que faz a diferença, inclusive porque ajuda a salvar vidas", diz ele.

Essa evolução do agro para a logística, da logística para as estradas ainda é um processo em construção, avalia a TIM. O próximo passo é agregar inteligência de dados aos acordos, agregando valor à conectividade. 

Paulo Gouvêa explica que o case da Fazenda Conectada em Água Boa/MT, em parceria com a Case IH, é emblemático. "É uma fazenda de altíssima produção de grão, fizemos uma área com conectividade e outra sem, e depois avaliamos e comparamos. O que percebemos que na safra 22/23 vs. 21/22 foi 18% maior. Tudo bem que a safra foi recorde em todo o Brasil. Mas a região conectada produziu 7,6% a mais do que a não conectada, 7,6% mais que o Estado do Mato Grosso e 13,4% mais que o Brasil, e consumindo 25% menos combustível, reduzindo a ociosidade em equipamentos, aumentou o tempo de trabalho e acelerou o tempo de cuidado na lavoura em três dias. Isso é muita coisa. Só os 25% de combustível economizados significam R$ 300 mil em diesel", enumera o executivo da TIM. "Tem um ganho que virá do big data, do trabalho de Inteligência Artificial com esses dados. Posso ser solução fim a fim, posso ser parte da solução apenas e posso ser o outsourcing de conectividade para um projeto privado", explica.

Oportunidades

Para a TIM, esses projetos de cobertura de áreas rurais e estradas está apenas no começo. Ainda existe muita oportunidade a ser explorada, diz Gouvêa, e com a consolidação das experiências fica mais simples convencer novos parceiros. 

Sobre a implementação das redes e trabalhos em coordenação com outras operadoras, ele aponta como fundamental um esforço conjunto.

"No agro e nas rodovias não vai ter sobreposição de rede, porque não tem viabilidade, por isso a gente sempre pensa em trocas, roaming e compartilhamento. A gente quer que se regulamente para que todos possam ter o uso na rodovia, não apenas o cliente da TIM. É uma obrigação com algumas das concessionárias e mesmo com outras que não têm". 

No campo, os projetos quase sempre incluem uma antenas de 60 metros, para ter uma grande cobertura em geral (cobre até 30 mil hectares). "Em alguns locais a gente já precisa subir um terceiro layer", diz. Sobre a conectividade dessa rede móvel, ela é feita com o que estiver disponível. "A gente tenta colocar backhaul por fibra, microondas ou satélite, tem que usar o que for mais conveniente", diz ele. Sobre uma possível concorrência direta com empresas de satélite, a TIM não vê riscos. "A nossa vantagem usando a rede de 700 MHz  é que se compartilha a conexão para muitas outras coisas, então fica economicamente muito mais viável".

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