Brisanet aponta risco de inadimplência para pequenos provedores; aumento de tráfego ainda não preocupa

José Roberto Nogueira, fundador da BrisaNet. Foto: Marcelo Kahn

A realidade da crise do Coronavírus sobre pequenas e médias operadoras de telecomunicações fora dos grandes centros apresenta algumas particularidades que podem ser já observadas na experiência da Brisanet, uma das principais empresas regionais, com quase 400 mil assinantes de banda larga e operação em 96 cidades do Ceará e Rio Grande do Norte. Segundo José Roberto Nogueira, presidente da empresa, houve um forte movimento no começo desta semana de inadimplência, com cerca de 50% de atraso. "Para contornar esse problema estamos revendo a nossa abordagem de relacionamento, buscando opções, mas qualquer sinalização que venha no sentido de suspender as cobranças dos clientes de telecomunicações tem um impacto muito ruim. Os pequenos provedores não aguentam manter os serviços sem as receitas", diz. "Qualquer barulho gera inadimplência", diz, referindo-se a iniciativas, como da OAB ou Idec, no sentido de isentar de pagamentos os serviços de banda larga.

Nogueira diz que o aumento de tráfego não tem sido um problema para a Brisanet. "Tivemos quase 45% de aumento no tráfego de dados, mas felizmente a nossa rede estava preparada para isso e não tivemos congestionamentos". Mas a Brisanet observa que ainda deve haver um aumento de tráfego, pois houve um fluxo de pessoas vindas das cidades com confinamento mais intensivo, como São Paulo e Rio de Janeiro, de volta para as cidades nordestinas em que a empresa opera. "Muita gente voltou para junto de seus familiares, trouxeram os filhos. Isso aumenta a demanda, e pode aumentar também a quantidade de casos por aqui. A quarentena ainda não é uma realidade forte nas cidades de interior aqui no Nordeste, mas com certeza vai ser", diz ele. Esse aumento de tráfego sim pode trazer uma demanda maior, comprometendo a capacidade das redes. "Já temos relatos de alguns pequenos provedores que tiveram 100% de aumento de tráfego", diz ele, endossando o pedido que tem sido feito por isenção de equipamentos para ampliação da capacidade destas redes.

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Para a parte de atendimento, a Brisanet precisou colocar cerca de 1,2 mil funcionários em home-office. " Fizemos isso em três dias e agora estes trabalhadores estão seguros, trabalhando de casa.

A Brisanet, explica seu presidente, suspendeu os esforços de expansão da rede e realocou as equipes de construção de rede para a manutenção dos serviços. Outra parte da equipe foi colocada de férias por 30 dias. O ritmo de novas instalações também diminuiu em 25% diz ele, também porque a empresa passou a adotar medidas mais rigorosas. E as vendas porta-a-porta foram suspensas, o que também impactou as novas vendas. "Nosso objetivo é manter a base e manter em 50% o ritmo de instalações".

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