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Teles vs. big techs: ‘fair share’ dá lugar ao ‘uso responsável da rede’

José Maria Alvarez-Pallete, CEO da Telefónica e chairman da GSMA, em discurso durante o MWC 2024. Foto: Telefónica

Nas palestras de abertura do MWC 2024, que tradicionalmente dão o tom do evento, a maior ausência foi o termo “Fair Share”. Não é que a preocupação das operadoras de telecomunicações com uma situação alegadamente desequilibrada em relação às empresas de Internet não persista. O assunto segue objeto de preocupação e plano de fundo nas falas dos executivos da indústria. Mas o tom é diferente, e a ideia deixa de ser a de uma compensação econômica para dar lugar à ideia de um ” uso responsável da rede”. 

A nova abordagem adotada nas falas vai para o campo das parcerias, da aproximação e das responsabilidades conjuntas dos setores de telecom e das big techs. Entram em cena não apenas as questões de assimetrias econômicas, em que as teles reclamam de investirem muito e terem poucas receitas. Mas passam a ser colocadas questões ambientais relacionadas ao crescimento dos serviços digitais, a inclusão de quem está excluído da conectividade, ou questões éticas relacionadas à Inteligência Artificial.

José Maria Alvarez-Pallete, Chairman e CEO da Telefónica e Chairman da GSMA, é sempre a voz mais eloquente do evento. E foi ele quem deu o tom. Em vez de destacar os lucros das big techs em contraponto aos investimentos das teles, ele destacou também a quantidade de energia e recursos consumidos em uma simples pesquisa ao ChatGPT, equivalente ao consumo de uma lâmpada por duas horas e a uma garrafa de água potável. Também destacou que apesar do aumento de 9 vezes no tráfego desde 2015, a Telefónica consegue, hoje, consumir 9% menos energia.

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“Chegou a hora de parcerias globais e uma governança justa para uma entrega sustentável e benéfica para toda a cadeia”, disse Pallete, no momento em que mais se aproximou do discurso do fair share, mas logo já trazendo o novo tom. “É hora de responsabilidade no uso dos recursos e de um novo ambiente regulatório”. 

Por fim, Alvarez-Pallete conclamou as empresas de tecnologia  a seguirem no mesmo caminho: “50% do tráfego vem de 6 players [de Internet]. Eles precisam ter uso responsável da rede, e da capacidade. AI é a maior revolução e precisa das redes, capacidade massiva e armazenamento. Mas precisa da Terra e da nuvem para colaborar”.

“O uso responsável deve ser a regra no desenvolvimento de todas as tecnologias. Nós assumimos a nossa responsabilidade, e precisamos garantir que a explosão do tráfego seja gerida com responsabilidade”, diz.

Receitas

Mats Granryd, diretor geral da GSMA, chamou a atenção de que apesar do o 5G estar crescendo mais rápido do que as gerações anteriores, as receitas não crescem e os investimentos estão crescendo e ritmo muito mais lento.

“O 5G está crescendo mais do que qualquer tecnologia, mas as receitas estão caindo mesmo com os investimentos crescendo a cada ano”, disse – deixando no ar a mensagem da necessidade de compartilhamento desses esforços, mas sem falar abertamente no pagamento de uma taxa de uso de rede.

O discurso vem em linha com o esforço das operadoras de telecomunicações de ampliarem parcerias e iniciativas conjuntas com outros setores, principalmente por meio do Open Gateway, que é iniciativa lançada em 2023 para que sejam adotadas interfaces em comum entre diferentes empresas. Mesmo no discurso da autoridade que vinha sendo o principal defensor do Fair Share , o conselheiro da Comissão Europeia Thierry Breton, o tom veio mais leve, com o discurso de um ambiente “equilibrado” (o já clichê “level playing field”).

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