É preciso atenção à qualidade das redes

Vivien Mello Suruagy, presidente da Feninfra

O avanço do acesso à Internet no Brasil, sobretudo  com a rápida expansão das redes de fibra pelo País, tem sido a cada ano um destaque positivo da evolução do mercado. Essa expansão do acesso e da conectividade são essenciais ao desenvolvimento da economia digital e da sociedade conectada. Mas é preciso que se tenha cuidados redobrados com questões relacionadas à qualidade, segurança e confiabilidade das redes. A  Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (Feninfra) alerta para a necessidade de que os órgãos formuladores de política no Executivo e no Legislativo, assim como a Anatel, como reguladora do mercado de telecomunicações, fiquem atentos à necessidade de garantir que a infraestrutura brasileira de telecomunicações esteja adequada às necessidades atuais e futuras de elevados padrões técnicos e estruturais.

O Brasil representa hoje o quinto maior mercado de telecomunicações do mundo, com uso intensivo de serviços e aplicações digitais, e mesmo com todas as dificuldades econômicas dos últimos anos, o avanço da Internet em alta velocidade se destacou. O Brasil chegou em 2020 à marca de mais de 4.400 municípios atendidos por redes de fibra contabilizados pela Anatel, sendo que em pelo menos 3.200 há mais de um prestador de serviço. Isso se reflete em acessos: em 2020, o total de usuários de banda larga fixa no Brasil cresceu quase 10%, para 36 milhões de acessos, e a base de brasileiros conectados por fibra óptica cresceu nada menos do que 36%.

Já o acesso à banda larga móvel também viu expansão de 13% em 2020, com uma base de usuários 4G que passa de 174 milhões de acessos. E a tecnologia 5G, com todos os requisitos de confiabilidade, velocidade e capacidade de comunicação massiva de dispositivos, será uma realidade no Brasil a partir de julho de 2022.

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Ao mesmo tempo, o governo publicou o Decreto 10.569/2020, que estabelece a estratégia Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas (inclusive de telecomunicações). Já a Anatel aprovou no final de 2020 a revisão do regulamento dedicado à manutenção dos serviços em casos de desastres como também aprovou o importante Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações. Todos estes instrumentos normativos apontam em uma única direção: a necessidade de redobrar a atenção à confiabilidade e segurança das redes, ainda mais em um cenário de intensa demanda por serviços de Internet e rápida expansão dos acessos.

Nesse sentido, a Feninfra defende que as instâncias dedicadas ao acompanhamento do funcionamento das infraestruturas críticas brasileiras, assim como o GT-Ciber, que fará o acompanhamento pela Anatel das questões relacionadas à segurança cibernética, se alinhem aos demais atores institucionais do mercado de telecomunicações no sentido de coibir irregularidades, garantindo que as redes brasileiras sejam construídas dentro das melhores práticas internacionais, por empresas e profissionais que tenham qualificação atestada e permanentemente capacitada, que estejam de acordo com as formalidades trabalhistas e fiscais brasileiras, sigam rigorosos parâmetros de qualidade e que assegurem o uso de equipamentos certificados pela Anatel e de procedência legítima.

As redes de telecomunicações no Brasil precisam estar em linha com as expectativas e necessidades do País em relação à confiabilidade e segurança. A Feninfra e seus representados atuam cotidianamente nesta direção e queremos contribuir com operadores e reguladores no esforço permanente pela qualidade da nossa Internet.

*  Sobre a Autora: Vivien Mello Suruagy é presidente da Feninfra – Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática.

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