LTE Broadcast ganha corpo e pode brigar com TV digital aberta

Os fabricantes de equipamentos de rede estão começando a apostar e acreditar que o conceito do LTE Broadcast pode dar certo. Trata-se de uma tecnologia que permite, em transmissões 4G, fazer a transmissão de sinais de TV de um para muitos usuários usando uma porção do espectro. O conceito existe há alguns anos, mas este ano havia várias demonstrações desta tecnologia entre os estandes do Mobile World Congress 2016, realizado esta semana em Barcelona. No último Rio Open, realizado no Rio na semana passada, a Claro demonstrou esta tecnologia em conjunto com a Qualcomm (detentora das principais patentes).

Apesar de, em tese, a tecnologia permitir transmissões permanentes, a ideia é utilizá-la em grandes eventos, já que para a transmissão do sinal em full HD é necessário usar 60% do espectro de 20+20 MHz que normalmente as operadoras de telefonia móvel utilizam. De qualquer maneira é uma tecnologia que permite às operadoras móveis a transmissão de sinais de vídeo para uma grande quantidade de pessoas, como se fosse um serviço de radiodifusão. Segundo um dos fabricantes ouvidos por esta reportagem, um deputado brasileiro que é radiodifusor e participou do Mobile World Congress em delegação com outros parlamentares mostrou surpresa ao saber dessa tecnologia e buscou saber da possibilidade legal desse serviço ser adotado.

Em tese, não há nenhuma restrição, já que o LTE Broadcast utiliza as frequências da operadora móvel e é restrito aos usuários dos serviços de telecomunicações, caracterizando-se como um serviço de valor adicionado. Mas a polêmica deve crescer à medida que as empresas decidam adotar comercialmente serviços baseados nessa possibilidade.

Lembrando que o Sistema Brasileiro de TV Digital, o ISDB-T, permite as transmissões móveis por meio do sinal de UHF, mas para que a recepção aconteça é necessário que os smartphones tenham capacidade de receber os sinais de TV aberta. A política de incentivos fiscais para a produção de smartphones prevê a adoção do ISDB-T em uma parcela dos smartphones produzidos no Brasil, mas o LTE Broadcast, por depender apenas da rede 4G, em tese poderá ser recebido por qualquer aparelho 4G.

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