Operadoras satelitais alertam para potencial de interferências na faixa de 6 GHz

(Matéria corrigida às 22:00) As operadoras satelitais se preocupam com o potencial de interferência do uso da faixa de 6 GHz para espectro não licenciado (como WiFi) em aplicações de satélite fixas (FSS). Em contribuições à consulta pública da Anatel sobre o tema, encerrada no último final de semana, as empresas destacam que mesmo em baixa potência, os dispositivos em operação outdoor podem trazer problemas futuros, conforme aumentam a densidade. E há ainda a possibilidade de que aparelhos de radiação restrita feitos para uso indoor sejam colocados em ambientes externos pelos próprios consumidores.

A feita individualmente pelas empresas Hispamar, Telesat, Hughes, Eutelsat, Intelsat e SES ressalta a importância de cuidadosas medidas para impedir a interferência na faixa. O posicionamento das empresas é de que a proposta da Anatel é satisfatória ao indicar a baixa potência para aplicações indoor. Para o uso outdoor, afirma que há potencial de interferência com o tempo, mas entende que a agência pode seguir com o plano de implantar limite de baixíssima potência.

Em contribuição à parte, a SES manifesta interesse em proteger o uplink de FSS na faixa de 5.925-7.125 MHz, conforme o plano de destinação de frequências da Anatel. Isso porque a empresa considera que o excesso de conexões de radiação restrita em "especialmente" ambientes outdoor, a interferência agregada se tornaria "um problema" eventualmente. "Embora nenhum dispositivo não licenciado nesta faixa de frequência cause interferência em um uplink FSS, a agregação de muitos milhões de tais dispositivos dentro do feixe de uplink FSS pode levar à degradação do desempenho e eventual interrupção dos uplinks FSS. Isso ocorre porque os feixes de uplink FSS nesta faixa de frequência tendem a cobrir áreas muito grandes e 'verão' a interferência de todos os dispositivos dentro dessa área."

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De acordo com a operadora, estudos do Comitê Europeu de Comunicações (ECC) identificaram que a interferência de "centenas de milhões de dispositivos" em estações FSS poderia exceder a uma taxa I/N (interference-to-noise) de -10,5 ou -13,5 dB, especialmente com uma grande quantidade de dispositivos outdoor. A SES diz assim que a ECC concluiu que a implantação apenas indoor ajudaria a garantir a proteção das estações satelitais. 

5G na faixa é prematuro

Desta forma, a operadora apoia a proposta da Anatel de impor baixa potência para aplicações não licenciadas em 6 GHz nos ambientes indoor, e "muito baixa potência" em outodor. Mas ressalta: a consulta se limita a introdução dos dispositivos não licenciados, como os de WiFI 6E. Por isso, diz ser "prematuro" considerar implantação de IMT (ou seja, serviços móveis como o 5G) ou de reservar qualquer parte do espectro para essa aplicação de redes móveis, uma vez que isso representaria alto risco de interferências. Tanto que isso será estudado na próxima conferência mundial de radiocomunicação (WRC-23), que considerará a porção de 7.025-7.125 MHz para IMT em todas as regiões. 

"Qualquer proposta para se considerar parte do espectro de 5925-7125 MHz para o IMT não deve ser considerada pelo Brasil. Ademais, quaisquer discussões a respeito da identificação de parte do espectro de 6GHz em outras Regiões da UIT, que não a Região 2, deveriam ser irrelevantes para o Brasil."

Sem outdoor

A Inmarsat defende o uso primário para FSS na faixa, também ressaltando a possibilidade de interferência com uso de aplicações outdoor de dispositivos não licenciados. Assim, considera que a abordagem adotada pela Anatel é adequada, desde que não haja impacto de nenhum serviço satelital, o que significa apenas aplicações indoor de baixa potência. 

Isso significa que a operadora de satélites é contra qualquer tipo de aplicação não licenciada outdoor devido ao potencial de interferência ao longo do tempo. Mas, se a Anatel optar por liberar, que seja de baixíssima potência, diz a empresa. 

A empresa também ressalta que os limites de potência propostos pela Anatel são adequados, mas diz que "aceitaria qualquer conjunto de restrições de potência baixa somente em ambientes indoor como proteção para os uplinks FSS". Mas diz que há preocupação de haver dificuldade de aplicação, uma vez que os consumidores poderiam levar os dispositivos para ambientes externos, o que elevaria número de dispositivos externos não licenciados. A sugestão é que a Anatel inclua margem para levar em consideração a "incerteza de implantação, uso de dispositivos indoor, outdoor e equipamentos não compatíveis que podem ser implantados involuntariamente".

Destaca ainda que a interferência com o FSS não é uma questão apenas no Brasil, mas também internacional quando o feixe do satélite cobre mais de um país. Quanto mais dispositivos não licenciados na faixa de 6 GHz, maior o potencial de degradação ou mesmo interrupção do serviço satelital. Por isso, a Inmarsat pede que a Anatel considere não apenas o mercado brasileiro na análise técnica.

Retificação

Originalmente, esta matéria informava que a contribuição era endossada também pelo Sindisat. No entanto, a entidade esclarece que optou por não se posicionar por divergências entre seus associados, ainda que um dos comentários de um dos associados tenha mantido equivocadamente a referência ao sindicato em sua manifestação.

O Sindisat encaminhou o seguinte esclarecimento a este noticiário:

"O Sindisat esclarece que a contribuição apresentada pela Hispamar, suportada pelas operadoras citadas na matéria, não reflete o posicionamento do Sindisat pelo fato de não ter havido consenso a respeito entre seus representados. Esta a razão pela qual o Sindisat se silenciou a respeito da citada Consulta Pública.  Venho solicitar a gentileza de fazer esse esclarecimento aos assinantes desse importante e reconhecido veículo de imprensa especializado, que é a Teletime. Luiz Otavio Prates, Presidente Sindisat"

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