Nii vende Nextel México para a AT&T e promete foco no Brasil

Ainda em processo de recuperação judicial (Chapter 11), a Nii Holdings anunciou nesta segunda-feira, 26, ter chegado a um acordo para vender a Nextel México para a norte-americana AT&T por US$ 1,875 bilhão, menos a dívida líquida do negócio até o momento do fechamento da transação. A ideia é que a Nii possa focar suas atenções na reorganização da empresa e financiar a operação da Nextel Brasil. A conclusão do negócio, esperada para o meio deste ano, ainda requer aprovação do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, além de autoridades reguladoras no México e "um processo de licitação competitiva" que está sendo conduzido pela entidade jurídica norte-americana.

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Em comunicado, o CEO da Nii, Steve Shindler, afirmou que acredita que "a venda da Nextel México representa uma oportunidade de reduzir nosso risco operacional, entregar valor aos acionistas e prover a liquidez que nos posicionará para emergir da reorganização do Chapter 11 com um balanço financeiro saudável e financiar nosso plano de negócios no Brasil". A dívida líquida da companhia em 30 de junho era de US$ 4,751 bilhões, mas em novembro a empresa entrou em acordo para converter em participações societárias um total de US$ 4,35 bilhões em promissórias sem seguro.

A venda da unidade mexicana não foi por acaso. Ao contrário da Nextel brasileira, que ainda tem mostrado resultados positivos, sobretudo com o crescimento da base 3G (e 4G no Rio de Janeiro), a operação da Nextel México, que acumulava em novembro um total de 2,829 milhões de acessos, sofreu muito com o desligamento da rede iDEN da Sprint nos Estados Unidos – a base mexicana tinha como atrativo as ligações gratuitas pelo rádio em roaming internacional – observando um churn de 5,94%, ou total de 101,1 mil desconexões no terceiro trimestre. A receita nesse período foi de US$ 336,3 milhões, uma queda de 22,28% no comparativo anual.

Desde fevereiro do ano passado, Shindler já considerava a possibilidade de vender uma de suas duas principais operações, mas o mau desempenho mexicano tornou a tele um ativo mais conveniente de se desfazer. "A venda também vai permitir ao nosso time mexicano continuar a crescer e prosperar, capitalizando oportunidades no mercado de telecom do México com o suporte de uma das maiores companhias de telecom no mundo", adicionou Shindler no comunicado.

Investimento pesado

Com a transação, a AT&T mostra seu grande plano para o mercado móvel do país. O acordo prevê que ela continue operando com o nome Nextel México, mas detendo todos os ativos mexicanos, incluindo licenças de espectro, infraestrutura, lojas de varejo e a base de assinantes. A rede da operadora cobre um total de 76 milhões de pessoas naquele país, e a intenção da norte-americana é "levar maior competição e velocidades maiores à Internet móvel ao mercado wireless mexicano". O plano é criar uma área de serviço única na América do Norte, cobrindo mais de 400 milhões de consumidores nos Estados Unidos e México.

Em novembro último, a AT&T comprou a Iusacell por US$ 2,5 bilhões, incluindo a dívida da companhia. A operadora mexicana, com uma base de 8,6 milhões de acessos, era controlada pelo Grupo Salinas. Juntando as duas aquisições, a AT&T forma assim uma presença de 11,6 milhões de clientes no México, com potencial para aumentar ainda mais com o plano de formação de mercado único com os Estados Unidos.

Ainda assim, a companhia depende da aplicação das novas regras anticoncentração de mercado definidas pela agência reguladora Instituto Federal de Telecomunicaciones (IFT). Isso por que a América Móvil, dona da Telmex, ainda detém monopólio no México, com mais de 70,4 milhões de acessos móveis (dados de setembro do ano passado). Em segundo vem a Telefónica, com a Movistar, com mais de 20,6 milhões de acessos (dados de novembro de 2014). Ou seja: mesmo com a aquisição da Nextel, a AT&T manteria a terceira posição atual da Iusacell.

Reflexo

A venda da unidade mexicana representa um importante comprometimento para com o Brasil, já que a Nii continua com suas operações normalmente no País, independente do pedido de recuperação judicial. Em novembro do ano passado, segundo dados da Anatel, a Nextel Brasil contava com 1,443 milhão de acessos 3G/4G. A base de iDEN, com dados de outubro, era de 2,942 milhões de acessos. A receita operacional da empresa era de US$ 435,8 milhões, com uma receita média por usuário (ARPU) de US$ 30.

Assim, a Nii mantém o seu único ativo ainda com alguma saúde financeira. Além da unidade mexicana, a companhia já havia se desfeito de mais duas: em agosto de 2013, a Nii vendeu a Nextel Peru para a chilena Entel por US$ 410,6 milhões; e um ano depois, em agosto do ano passado, a companhia vendeu a Nextel Chile para um grupo de investidores representado pela uruguaia Fucata S.A. por um valor não divulgado.

O desafio agora é resolver o problema com a Nextel Argentina, que tem mostrado queda na receita operacional de 35% (total de US$ 92,1 milhões) e um churn de 26,9 milhões de desconexões. Hoje, a empresa tem uma operação exclusivamente na iDEN naquele país, com 1,949 milhão de acessos.

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