Para pequenos provedores, faixa de 2,5 GHz ainda representa um desafio

Os pequenos provedores de acesso podem até entrar na licitação de espectro a ser promovida pela Anatel no dia 17 de dezembro próximo, mas não se espere, no curto prazo, o surgimento de operações de banda larga competitivas nessas cidades utilizando LTE nestas frequências. Ao contrário da licitação de 2012, que marcou a entrada da Sky e On Telecom na disputa do mercado de Internet, esta licitação atual atrairá as empresas apenas pela perspectiva de terem um novo espectro, mas o nível de maturidade e conhecimento da tecnologia ainda é pequeno. O ideal, para os pequenos provedores, seria o adiamento do leilão para que houvesse mais tempo para estudar a tecnologia, montar os modelos de negócios e preparar a estratégia.

O que se percebe na conversa com os pequenos provedores, muitos deles reunidos nesta quarta, 25, no Workshop da Abrint realizado em Brasília, é que não houve tempo para que estas empresas pudessem se preparar tecnicamente para uma usar essas faixas. A maior parte, se entrar na licitação, será para garantir a faixa, mas dificilmente investimentos serão feitos em rede. Hoje, a maior parte dos provedores aposta em redes de fibra para expandir suas redes. Os que estão no mundo wireless usam WiFi na faixa de 2,4 GHz, uma faixa não licenciada e que não requer maiores cuidados de planejamento de rede, dimensionamento de células e que podem ser montadas com equipamentos de prateleira, de múltiplos fornecedores e facilmente encontrados no mercado. Já a faixa e 2,5 GHz, com equipamentos TD-LTE, tem um universo de fornecedores mais limitado, exige um dimensionamento mais cuidadoso e tem custos maiores.

A própria Anatel, durante o evento da Abrint, recomendou aos pequenos operadores que pesquisem mais o assunto e que confiem no potencial de desenvolvimento destas tecnologias, que só na China já tem mais de 100 milhões de usuários.

História

A Anatel tem histórico de leilões de espectro que foram feitos sem que os serviços tenham sido efetivamente explorados. No começo dos anos 2000, uma série de licitações para o mercado de MMDS (TV por assinatura), que utilizava justamente na faixa de 2,5 GHz, licenciou espectro para centenas de cidades. Em muitas delas, as operadoras nunca conseguiram ativar os serviços, porque a tecnologia mostrou-se pouco competitiva com relação ao cabo e ao DTH (satélite) e a Anatel demorou para autorizar a exploração desse espectro para banda larga.

Outra licitação, em 2003, para a faixa de 3,5 GHz, também gerou outorgas para todo o Brasil. A Embratel, uma das vencedoras da licitação, fez testes e constatou que o problema de interferência com a banda C era muito complexa e acabou abandonando o uso da tecnologia.

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