Ericsson e TeliaSonera lançam LTE em 2,6 GHz

Enquanto no Brasil empresas de TV por assinatura e telefonia móvel brigam pelo espectro de radiofrequência, do outro lado do oceano a Ericsson comemora a inauguração da primeira oferta real de serviços móveis via Long Term Evolution (LTE). O local escolhido para o lançamento foi Estocolmo, na Suécia, cidade-natal da empresa, responsável pela montagem da rede em parceria com a operadora TeliaSonera.
A inauguração da rede LTE fez parte das comemorações do Dia Nacional da Suécia, 6 de junho, e do casamento real da princesa Victoria no último dia 19 de junho. Para conectar os centros de mídia e principais pontos de uso do LTE, a Ericsson instalou um estúdio fixo no castelo real e quatro unidades móveis. O foco da operação inicial foi viabilizar serviços de transmissão para as televisões e agências de mídia, garantindo a transferência em streaming com alta qualidade. A velocidade de download atingida nos centros foi de 2 Mbps.
Esse será o novo paradigma da telefonia móvel, garantiram os representantes da Ericsson responsáveis pelo gerenciamento da rede. Além da Suécia, a fabricante já montou redes iniciais de LTE na Turquia e na Dinamarca. Estocolmo foi considerada uma excelente cidade para uma primeira operação comercial de 4G por conta de sua distribuição geográfica. A cidade ocupa 377 mil km², mas sua população de pouco mais de 2,5 milhões de habitantes é bastante concentrada na ilha principal (ao todo são 14 ilhas).

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A parceria Ericsson/Telia também assegurou cobertura em 4G nas áreas marítimas, conectando os barcos da região. Para que o sistema funcione nas vias marítimas que contornam a cidade é necessário um modem que cria uma espécie de "nuvem" WiFi conectando todos os equipamentos portáteis no barco, de PCs e notebooks a smartphones e tablets como o iPad. No teste realizado com a imprensa, a conexão manteve-se estável e com a mesma taxa de transferência registrada em terra firme.
Espectro
O lançamento da operação em LTE em Estocolmo pode animar as operadoras móveis brasileiras, que hoje tentam convencer a Anatel de que a faixa de 2,5 GHz deve ser desocupada para dar lugar ao 4G das móveis. Mas há algumas peculiaridades no uso de espectro da Suécia que podem não ser aplicadas no Brasil.
Surpreendentemente para quem acompanha a briga entre móveis e TVs por assinatura no Brasil, a operadora sueca não optou por usar a faixa de 2,5 GHz. A faixa de operação do sistema apresentado na semana passada é em 2,6 GHz. Segundo o vice-presidente de sistemas de desenvolvimento de serviços móveis da TeliaSonera, Rommy Ljunggren, essa faixa foi limpa em 2008 e funciona perfeitamente para as operações de LTE. Atualmente eles colocam no mercado pacotes de 30GB por 60 euros mensais. "Colocamos um limite até que os usos possíveis do LTE se tornem um hábito. Esse é só o início do que podemos oferecer", explicou.
Mais eficiente
A equipe da Ericsson explicou que realmente é possível lançar o LTE em 2,5 GHz, mas a aposta da fabricante é em uma faixa bem distante dessa fatia do espetro: a de 800 MHz. "Essa é uma faixa que já é móvel em todos os países e tem uma cobertura muito melhor", argumenta o chefe da equipe. Como essa é uma faixa já em uso, a Ericsson acredita que as empresas vão "pagar bilhões" pelos blocos em 800 MHz para a migração para o 4G.
Outro aspecto é que os blocos devem ser menores para que todos os players possam trabalhar nessa faixa. Em 2,6 GHz, a TeliaSonera está usando um bloco de 20 MHz dedicado ao LTE. Em 800 MHz, fabricante e operadora acreditam que o bloco não passaria de 10 MHz. Ainda assim, os técnicos da Ericsson afirmam que é perfeitamente possível fazer uma operação de LTE com qualidade com um bloco de 10 MHz.
A aposta em 800 MHz explica-se pelo fato de que, segundo a Ericsson, sai muito mais barato fazer o overlay do 4G do que implantar uma rede nova em outra faixa. Custa menos do que se pensa colocar uma rede LTE porque nós aproveitamos as redes de 2G e 3G que já estão em operação, afirmam os técnicos, fazendo mistério, claro, sobre quanto a Telia pagou pelos equipamentos.
A Ericsson também lembra que hoje os chipsets são preparados para funcionar em diversas faixas de radiofrequência, não existindo assim uma única faixa onde o LTE pode funcionar. A barreira, na opinião dos técnicos, é a disposição do espectro nos diversos países. Neste sentido, a faixa de 800 MHz leva vantagem novamente, uma vez que seu uso já está nas mãos das móveis.
No Brasil, a faixa de 2,6 GHz, assim como a de 2,5 GHz, é usada pelas empresas de MMDS e de SCM e jamais se considerou a hipótese de limpá-la para a quarta geração de telefonia móvel. Seja qual for a faixa escolhida nos demais países, a Ericsson é otimista com relação à expansão do LTE no mundo. A empresa acredita que ao menos 50 operadoras devem aderir à nova tecnologia nos próximos anos.

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