Anatel insinua possibilidade de migração para o LTE nas faixas em uso

O evento dedicado à promoção da faixa de 2,5 GHz para as operadoras móveis em nome da evolução da telefonia para o LTE acabou em uma saia-justa para as operadoras. Duas intervenções do gerente-geral de Comunicações Pessoais Terrestres da Anatel, Nelson Takayanagi, ao fim das apresentações das empresas, visivelmente constrangeram os executivos. A primeira rebateu as declarações de que a faixa de 2,5 GHz é fundamental para que a telefonia móvel possa migrar para o LTE no futuro.
"Eu não sei se entendi, mas vocês disseram que não dá para mudar na mesma faixa?", perguntou Takayanagi, insinuando que é possível um overlay nas faixas usadas hoje para o 3G, de 1,9 GHz e 2,1 GHz. Os executivos da TIM, Claro e Vivo que estavam no debate, admitiram que é possível, "mas seria muito dispendioso e geraria um custo adicional para os clientes na migração", segundo as palavras de Janilson Bezerra, gerente de Infraestrutura de Inovação Tecnológica da TIM.
Mais tarde, o gerente da Anatel esclareceu a este noticiário que realmente é possível mudar de tecnologia na mesma faixa usada hoje, mas também é verdade que a preparação de uma radiofrequência específica para a migração torna o processo mais simples.
A segunda provocação de Takayanagi foi gerada pelos comentários, também do executivo da TIM, de que o país pode ter um colapso na telefonia móvel já em 2011, especialmente em São Paulo, caso não sejam concedidas mais faixas para o SMP.
O gerente jogou um balde de água fria nas empresas. "Eu também não sei se entendi direito. Vocês falam que em 2011 vão precisar de mais espectro. Mas isso é impossível, né?" A impossibilidade, segundo ele, está no longo processo entre a destinação para um novo uso de faixa e a sua efetiva licitação, com a produção de propostas que precisam passar por consultas públicas e construção de editais. Assim, seria inviável cumprir todo este rito a tempo de ter mais espectro disponível para as móveis em dois anos.
Ironias
Mas as empresas não foram apenas vítimas de provocações. Em sua apresentação, o diretor de Assuntos Regulatórios da Claro, José Otávio Marcondes, não economizou ironias em relação às empresas de MMDS, hoje detentoras da prioridade de uso da faixa de 2,5 GHz. "Eu tô sentindo falta do Alexandre Annenberg para dar um pouquinho de emoção aqui, nos fustigar um pouco", brincou o executivo, referindo-se ao presidente da ABTA e conhecido porta-voz das MMDS na disputa pela radiofrequência.
Mais à frente, Marcondes citou Annenberg novamente. "Só ele pra defender o MMDS, para comparar uma coisa com a outra", comentou após comparar os números da telefonia móvel com os da TV por assinatura via microondas. Mesmo com as críticas, o executivo da Claro disse não ser contrário à manutenção do MMDS. "Não sou contra os 620 mil usuários do MMDS em 2011. Acho apenas que tem que ser feito um alocamento em outro lugar. Mas é inconcebível que isso venha a prejudicar um dos serviços mais importantes prestados hoje para a sociedade brasileira", afirmou, defendendo a telefonia móvel.

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