EB Capital e Highline: leilão de 5G ainda está em análise, mas há oportunidades

Foto: Pixabay

Os fundos EB Capital e Digital Colony, por meio da Highline Brasil, ainda aguardam definições sobre o leilão do 5G, após a análise do Tribunal de Contas da União, para tomar decisão de participar ou não. Porém, não se descarta um olhar que pode ir além dos lotes regionais oferecido no certame, uma vez que as oportunidades de crescimento junto a prestadoras de pequeno porte são grandes. 

O diretor de desenvolvimento de negócios da Highline Brasil, Luis Minoru Shibata, considera prematuro dar uma posição sobre o leilão, mas também enxerga que, se houver um "ligeiro atraso na perspectiva", será proveitoso para a empresa ter mais tempo para análises e traçar com maior refinamento o plano de negócios. O fato é que a empresa já tem ideia da estratégia que quer tomar.

"Queremos evitar fazer um business case da Faria Lima. Temos gastado muito tempo e esforço para conversar com interessados. Não queremos cliente final, mas ser uma rede neutra mesmo, e não uma 'rede aberta' criada pelos clientes âncoras", destacou Shibata durante o Teletime TEC nesta terça-feira, 25. 

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Essa falta de um grande contrato já garantido significa, contudo, que é necessário concentrar o máximo possível de players a serem atendidos. "Temos falado com PPPs e uma série de novos entrantes", diz, mencionando não apenas o contexto da banda larga fixa, mas também no celular. 

"O investimento para o 5G vai ser considerável, são bilhões de reais. É muito para todos, inclusive para as grandes. É muito bom ver um leilão não arrecadatório, mas o investimento é muito grande frente ao retorno", declara. "Conseguimos hoje criar modelo viável para operações móveis, mas precisamos aguardar as obrigações das frequências e existem desafios."

Área fértil

O fundo de private equity EB Capital, que detém investimentos nos provedores regionais Sumicity e Mob Telecom, está com a tese de maior volume de Capex na rede de fibra óptica, chegando a ter um backbone nacional conectado entre as diferentes empresas. A companhia tem um braço específico, a EB Fibra, com o ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, como CEO e 100% focada em ISPs.

Segundo o sócio da EB Capital, Felipe Matsunaga, a empresa está estudando o leilão do 5G por meio de consultorias e análise interna, mas ainda não pode dar resposta firme se vai participar do processo, "em lotes regionais e eventualmente, até nacional". Mas o foco está na infraestrutura que dará suporte à tecnologia. "A necessidade da rede para fazer o negócio [do 5G] andar vai ser estrondosa, e temos que aproveitar o backbone e a rede de acesso."

Matsunaga acredita que as oportunidades do mercado atual são mais bem definidas do que na época dos leilões de frequências para 3G e 4G, uma vez que já está estabelecida a existência da demanda por dados e conectividade. "Está sobrando dinheiro no mercado. Hoje há uma tendência preocupante em telecom muito focada nas redes. Fundos de private equity e venture capital estão oferecendo mais dinheiro do que startups estão pedindo, e acho que telecom é uma área fértil.", declara. 

Carrier

A analista do Santander, Maria Tereza Azevedo, concorda que as empresas regionais estão se movimentando, não apenas para complementar a oferta de fibra que já possuem, mas para ter mobilidade pessoal e fixa e, se houver interesse, prover infraestrutura, atuando como "carriers" para as grandes teles. Ela vislumbra ISPs entrando no leilão em consórcio, "já prevendo compartilhamento desde o dia zero", ou utilizando redes terceiras como a da Highline.

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