Autoridade de proteção de dados é fundamental antes do 5G, avalia SindiTelebrasil

Foto: Pixabay

Na avaliação do SindiTelebrasil, uma série de fatores "conjunturais e estruturais" precisam ser considerados e sanados para uma realização do leilão 5G em um ambiente seguro. Se pelo lado da conjuntura, o impacto econômico da pandemia do coronavírus (covid-19) surge como principal fator, pelo lado estrutural, a ausência de uma autoridade nacional que fiscalize a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também causa preocupação.

Segundo o presidente executivo do SindiTelebrasil (que representa as principais operadoras do País), Marcos Ferrari, a criação efetiva da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é essencial para a consolidação da tecnologia. "A autoridade é fundamental, pois o 5G exige um volume de dados muito maior [que as tecnologias antecessoras]", afirmou o dirigente, em evento online promovido nesta segunda-feira, 25, pelo portal Tele.Síntese.

Segundo Ferrari, este é apenas um dos elementos "que precisamos para ter certeza da segurança do leilão 5G"; entre outros fatores críticos estariam a alta tributação da Internet das Coisas, a resolução de gargalos para instalação de antenas e questões como o direito de passagem para infraestrutura de fibra ótica. "Quando eles forem resolvidos, se cria um ambiente propício", avaliou.

No caso da autoridade responsável pela LGPD, há um cenário de incertezas sobre o órgão. Com a decisão recente do Senado de manter para agosto deste ano o início da vigência da lei, há risco da legislação de proteção de dados entrar em vigor antes mesmo da criação da estrutura fiscalizadora, conforme pontuado por TELETIME na última quarta-feira, 20.

Coronavírus

Já pelo lado conjuntural, há a avaliação de que a crise do coronavírus tenha tornado o ambiente turvo para a definição de investimentos. "Nós não consigamos enxergar o outro lado da ponte. Temos que atravessar o rio para ver a outra margem", ilustrou Ferrari.

"Antes da crise, a previsão do Boletim Focus para o PIB era de 2,1%. Agora, foi atualizada para 5,89%, em queda de sete pontos percentuais em dois meses. É a maior queda da série histórica em um intervalo tão curto", afirmou o presidente do SindiTelebrasil. "Isso por si só é motivo para que se avalie o melhor momento para o leilão".

Diante do cenário, um atraso no cronograma inicialmente previsto pela Anatel já é praticamente certo. Além do impacto econômico, a crise do coronavírus também atrasou os testes realizados pela agência para verificação de interferências entre o 5G e serviços presentes na faixa de 3,5 GHz, considerada o principal ativo de certame.

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