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MWC 2024 começa com temperatura alta entre empresas de Internet e teles

Foto: Pexels

A edição deste ano do MWC 2024 tem muitos atrativos: é a edição “comemorativa” dos cinco anos do 5G, é a edição em que a Inteligência Artificial deve dar as caras definitivamente nas estratégias das operadoras de telecomunicações e será o ano em que as tecnologias 5G Advanced mostrarão maturidade para a estréia comercial, que deve acontecer nos próximos dois anos em algumas operadoras. Mas o tema de fundo do evento seguirá sendo o embate entre empresas de telecomunicações e empresas de de Internet, e quais as formas de equilibrar a relação entre receitas, investimentos e responsabilidades de cada um. 

Há alguns anos a pauta está colocada pelas operadoras de telecomunicações: a busca do fair share, ou seja, o compartilhamento dos investimentos em rede e/ou das receitas com as empresas de Internet. Já as empresas de Internet preferem chamar essa agenda de “network fee”, que seria uma imposição de pagamento de uma taxa pelas grandes plataformas às teles, e alegam que não precisam contribuir com a infraestrutura porque já contribuem com o desenvolvimento dos conteúdos e, com isso, dão razão e estimulam o consumo dos serviços de banda larga. Mas mesmo sendo um tema recorrente nas edições do Mobile World Congress, a temperatura começou especialmente quente nesse quesito, pelo menos para os brasileiros.

A Aliança pela Internet Aberta (AIA), uma entidade criada no final de 2023 pelas Big Techs para combater a ideia do fair share, ou da network fee (a depender do ponto de vista), e que contou com a adesão das empresas de mídia (Abert) e de pequenos operadores de Internet, havia se programado em 2024 para patrocinar uma das missões empresariais do setor de telecom a Barcelona, organizada pela Telcomp. Estas missões empresariais são organizadas pelas associações do setor (tradicionalmente pela Conexis, que representa as grandes operadoras, e Telcomp, que representa médias e pequenas empresas) como forma de apresentar às delegações de parlamentares e autoridades do Executivo que costumam vir à cidade as pautas e tendências do setor.

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Às vésperas do embarque para Barcelona, a AIA recebeu a sinalização de que as agendas não poderiam ser conciliadas e a entidade deveria ficar de fora das atividades específicas do setor de telecomunicações. Segundo interlocutores das empresas de Internet que suportam a AIA, o desconforto foi grande entre as empresas e associações apoiadoras da aliança (inclusive da radiodifusão). Mas ainda assim, a vinda de todos os representes a Barcelona foi mantida.

Já entre as empresas de telecomunicações, a leitura é de que qualquer casamento de agendas seria impossível nesse momento, até porque existe, em Barcelona, um esforço maior, inclusive das matrizes das grandes operadoras europeias e das entidades setoriais, como a GSMA, no sentido de trazer argumentos e elementos do debate pró-fair share. É uma briga que acontece não apenas no Brasil, e que hoje é considerada prioridade número um entre as empresas de telecomunicações.

Dentro do setor de telecom brasileiro, contudo, o tema não é unânime, já que a agenda do fair share não é defendida pelos pequenos e médios operadores. Mesmo entidades como a Abrint, por exemplo, já se posicionaram contra essa agenda.

Após o estresse inicial, as diferentes delegações de brasileiros, seja das grandes operadoras lideradas pela Conexis, seja das pequenas, com missões da Telcomp e da Abrint, seguem ocorrendo em paralelo. Mas também existe uma agenda das empresas de Internet, que em alguns casos patrocinam diretamente o MWC 2024. Na ano passado, por exemplo, a Netflix criticou publicamente a ideia do fair share durante um keynote no evento, o que ofuscou os esforços que vinham sendo feitos pelas operadoras de telecom para colocarem seus argumentos a favor de um reequilíbrio.

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