Computação na borda também será adotada na Telefônica Brasil

Com a chegada da 5G, fica cada vez mais importante levar o poder computacional para mais perto da ponta, sobretudo pela importância que isso trará para aplicações sensíveis à latência. A Telefónica está investindo no processo, tendo já implantado os elementos necessários para o edge computing na rede da Espanha e, com o próximo passo a chegada ao Brasil. "A parte mais importante no edge é que não só provemos melhor experiência com melhor latência, mas mais importante, estamos virtualizando a rede com desempenho determinístico", declarou o VP de Networks Innovation do grupo espanhol, Patrick Lopez. O executivo se refere essencialmente à possibilidade de adaptar um throughput e/ou latência específicos para uma região, cliente ou mesmo por dispositivo. "Não precisamos esperar a 5G."

Lopez acredita que a iniciativa permite a otimização dos serviços não apenas de nuvem, mas de operação, utilizando um conceito de "better telco". "Achamos que isso é o real valor aqui, e pela primeira vez poderemos oferecer isso", declarou durante participação em painel na Mobile World Congress nesta segunda-feira, 25, em Barcelona. "Estamos expandindo para o Brasil o que começamos na Espanha, e será totalmente implantada na rede comercial", declarou. Entre as aplicações possíveis com o novo recurso, ele cita a possibilidade de jogos online massivos (MMO) por meio da rede móvel, além de uso de reconhecimento facial em vídeo com adequação à lei geral de proteção de dados europeia (GDPR), tornando pessoas anônimas ao desfocar os rostos.

A mudança em direção à computação na borda tem uma particularidade: as operadoras têm a vantagem desta vez. "Vai permitir que as teles entrem no jogo, porque operadora tem torres e infraestrutura. Ao contrário de um provedor de nuvem com concentração, a operadora tem arquitetura distribuída e naturalmente pode entregar computação em edge", explica o vice-presidente-executivo do grupo de NFV para telcos na VMware, Shekar Ayyar. A opinião dele é que as empresas de telecomunicações não podem executar isso sozinha, mas podem se aproveitar das novas oportunidades de aplicações.

"Com essa modularidade, as teles podem preencher qualquer requerimento de desagregação. Da perspectiva de alcance, pode sair de três servidores concentrados para cem servidores", explica o executivo sênior de soluções de integração e arquitetura da Cisco, Jochen Heidl. O executivo concorda com o representante da Telefónica ao explicar que essa movimentação em busca de redução de latência já pode ser feita agora, sem esperar pela 5G. "A latência baixa é dinheiro", afirma. Ele cita o lançamento do MobiledgeX, primeira rede com edge pública em arquitetura de cloudlets (pequenas nuvens) que proporciona conexão com latência abaixo dos 30 ms em qualquer lugar na Alemanha.

Na previsão da Intel, até 2022, 45% dos dados serão armazenados, analisados e processados na borda. "Há necessidades claras de que precisamos fazer isso, vemos como uma grande oportunidade', explica a vice-presidente sênior do grupo de plataformas de rede da fornecedora, Sandra Rivera. "A transformação de rede está acontecendo há alguns anos, e é fundação para a 5G", conclui. "Penso em três fatores para a edge computing: o primeiro é a 5G, que é o grande driver; o segundo é a baixa latência, que significa dinheiro; e o terceiro é o aumento da inteligência artificial e do machine learning para permitir novos tipos de aplicações", complementa o vice-presidente sênior de tecnologia e estratégia da Deutsche Telekom, Alex Choi.

* O jornalista viajou a Barcelona a convite da Huawei.

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