Desempenho nos serviços fixos impede crescimento maior da Telefônica

Apesar de resultados positivos em algumas áreas, a Telefônica Brasil mostra perda de fôlego na área fixa, onde estão as melhores margens. Divulgado nesta segunda-feira, 25, o balanço financeiro do último trimestre de 2012, que também apresenta os resultados do acumulado do ano, mostra a dificuldade da empresa em crescer neste setor. Tanto que, em TV por assinatura, foi o único caso de operadora que perdeu base nos últimos dois anos. A quantidade de acessos de telefonia fixa também caiu sensivelmente.

O total de acessos foi de 91,116 milhões até dezembro, crescimento de 4,9% em relação a 2011, mas leve recuo de 0,8% comparando com o terceiro trimestre de 2012. Isso aconteceu porque houve perda principalmente na base fixa, que continua em queda livre: 14,978 milhões de acessos, recuo de 0,7% em relação ao 3T12 e de 2,2% em relação a 2011. O acesso residencial caiu 6,1% e fechou o ano com 7,110 milhões de assinantes, embora o setor corporativo tenha crescido 4,9%, totalizando 2,933 milhões em 2012.

A banda larga obteve crescimento de 2,8% no ano, totalizando 3,733 milhões de acessos. Apesar disso, houve um leve recuo de 0,5% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O resultado é bem aquém do que obteve a Net Serviços, por exemplo, que registrou no mesmo período um crescimento muito mais robusto, de 28,9%.

Mas o problema mesmo continua sendo a TV por assinatura, que teve queda de 14,2% em relação ao ano anterior. Considerando que o ano foi de crescimento de 27% no mercado de TV paga em geral, é um resultado pouco animador para a companhia.

Em 2012 a Telefônica/Vivo registrou 600 mil acessos de TV paga, 99 mil a menos do que em 2011. A companhia atribui a diminuição (embora cite apenas a trimestral) à "redução no esforço comercial para este serviço durante o ano de 2012 aguardando o lançamento da nova plataforma de TV". No entanto, este noticiário apurou que o IPTV, agora baseado no Mediaroom da Microsoft, enfrenta dificuldades técnicas na instalação mesmo entre usuários já com acesso FTTH de banda larga. Tanto que o lançamento comercial em São Paulo no final do ano não impediu o  desempenho tímido no quarto trimestre, que registrou 19 mil acessos a menos do que no terceiro trimestre. Apesar disso, o plano da empresa é que, ainda este ano, o novo serviço seja ampliado aos clientes de cabo. Aparentemente, existe uma estratégia que será colocada em prática para reverter a situação, embora a empresa ainda não revele o que é: "Estamos implementando um plano de ação neste segmento para melhorar o desempenho do serviço de TV", diz o balanço.

A operadora afirma que o serviço de fibra já conta com 112 mil clientes e que o churn na solução FTTH é o menor da companhia, mas não revela qual a taxa. Entre as conexões xDSL, os planos de dados com velocidades acima de 4 Mbps são os que mais crescem, segundo a empresa.

Móvel

O total de acessos móveis foi de 76,137 milhões, 669 mil a menos do que no trimestre imediatamente anterior. Apesar disso, o resultado ainda é melhor do que na comparação com 2011, registrando crescimento de 6,4%. A companhia atribui o resultado à alteração da regra de desconexões de pré-pago, "fruto de uma política comercial mais racional focando na rentabilidade". A companhia julga que há um melhor "mix de clientes", já que os planos pós-pagos foram 59% das adições líquidas no ano. Os smartphones representaram 68% do total de ativações, crescimento de 24 pontos percentuais em relação a 2011. O corte na base de pré-pago também ajudará a empresa a economizar no pagamento do Fistel, taxa paga em março e que usa como base de cálculo o total de assinantes ativo no mês de dezembro anterior.

A base de acessos máquina-a-máquina (M2M) foi de 1,2 milhão de clientes em dezembro, aumento de 109% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, a Telefônica/Vivo ainda está longe da primeira colocada no mercado, a Claro, que em janeiro registrou 3,236 milhões de acessos (contra 1,315 milhões da Vivo no período).

De qualquer forma, houve crescimento no churn (fuga de usuários para outras operadoras) mensal de 1,1 ponto percentual em relação a 2011, fechando o trimestre com taxa de 4,1%. No ano, a taxa ficou em 3,5%, leve crescimento de 0,6% em relação ao acumulado do ano anterior. A ARPU (média mensal de receita por usuário) no negócio móvel foi de R$ 23,9 no quarto trimestre, recuo de 2,8% em relação ao mesmo período de 2011. No acumulado do ano, a média foi R$ 16,4, recuo de 9,1%. O responsável pelo resultado pior foi a ARPU de voz, que caiu 9,1% no total do ano. A operadora diz que isso foi provocado pelo impacto regulatório que levou à redução das tarifas de interconexão.

Confirmando a tendência de aumento de consumo da rede móvel, o tráfego total somou 29,487 milhões de minutos no trimestre e 108,885 milhões de minutos no acumulado de 2012, crescimento de 19,7% e 18% respectivamente. O market share da empresa no negócio móvel registrou 29,08% no ano, recuo de 0,45 ponto percentual.

Negócios

Os resultados operacionais se refletem nos financeiros. O lucro líquido da empresa foi de R$ 1,474 bilhão no último trimestre, crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período no ano anterior. No acumulado do ano, contudo, houve uma  queda de 12,2%, totalizando R$ 4,452 bilhões. O Capex no acumulado do ano foi de R$ 6,117 bilhões, crescimento de 6,5% em comparação com 2011, o que leva em consideração os valores das licenças adquiridas em 2011 e 2012. 

A receita operacional líquida no trimestre foi de R$ 8,910 bilhões, alta de 3,6% em comparação ao último trimestre de 2011. No consolidado do ano, a receita operacional líquida foi de R$ 33,931 bilhões, crescimento de 2,3%. Avançando 7,4% em relação a 2011, a receita de serviços móvel fechou o trimestre com R$ 5,474 bilhões. No ano, a área somou R$ 20,436 bilhões, crescimento de 9,7%. Entretanto, a receita operacional líquida fixa segue em queda, refletindo a perda de assinantes, com recuo de 7,6% na comparação de trimestres, fechando o quarto trimestre com R$ 3,087 bilhões. No acumulado do ano, a queda foi um pouco maior: 7,7%, somando R$ 12,533 bilhões.

A receita líquida fixa de voz e acessos caiu 14,5% no acumulado do ano, somando R$ 6,9269 bilhões. A TV por assinatura, mais uma vez, mostrou resultado ruim: queda de 8,3% nas receitas líquidas, totalizando R$ 593,8 milhões. Comparando somente com o terceiro trimestre, a receita líquida do setor de TV paga caiu 2,1%, fechando os últimos três meses de 2012 com R$ 141,2 milhões.

A receita com a venda de aparelhos móveis somou R$ 348,8 milhões no quatro trimestre (alta de 114% em relação a 2011) e totalizou R$ 961,4 milhões no ano. Apesar do grande crescimento na comparação trimestral, no acumulado do ano a alta foi de apenas 0,7%. A receita de dados e SVAs, entretanto, mostra-se saudável: R$ 5,648 bilhões em 2012, crescimento de 21,7%. Somente com a Internet móvel, a receita foi de R$ 2,857 bilhões, aumento de 19,4%. A Telefônica atribui isso à venda de planos de dados 3G e 3G Plus (nome comercial do HSPA+ na empresa) atrelado a smartphones e da crescente venda de pacotes de dados para clientes pré-pagos.

O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre foi de R$ 3,854 bilhões, alta de 16,5%. No acumulado do ano, a Telefônica registrou R$ 12,034 bilhões, crescimento de 5,6%. A margem EBITDA teve crescimento de 4,8 pontos percentuais e fechou o 4T12 com 43,3%. No acumulado do ano, o crescimento foi de  1,2 ponto percentual e a margem foi de 37,4%. Mais uma vez, a operadora reclama do impacto negativo das reduções tarifárias de interconexão: R$ 13,2 milhões no EBITDA no trimestre. No acumulado do ano, o impacto da redução da VU-M foi e R$ 172,5 milhões, segundo a empresa.

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