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Amon, da Qualcomm: 25% do acesso fixo à banda larga no mundo será pelo 5G

O CEO global da Qualcomm, Cristiano Amon, esteve nesta quarta, 24, em Brasília para encontros com autoridades, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, o ministro das Comunicações, Fábio Farias, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo Amon, o propósito dos encontros foi cumprimentar o governo brasileiro pelo sucesso na realização do leilão de 5G e apontar algumas das possibilidades que se abrem para o desenvolvimento de setores econômicos com a tecnologia.

“Vemos um grande potencial de transformação digital para a economia e novas vertentes de crescimento”, diz ele. Ele também teve encontro com fornecedores locais e operadores regionais, como Intelbras (parceira da Qualcomm na produção de equipamentos para acesso fixo/móvel – FWA) e Algar (vencedora do leilão em várias frequências).

Foco no FWA

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A Qualcomm vê o desenvolvimento do acesso fixo por meio das redes 5G como uma grande oportunidade para o Brasil. “Metade dos lares brasileiros ainda não têm acesso banda larga e existe uma oportunidade de usar o 5G para rapidamente levar capacidade similar à fibra para estes domicílios”, comentou Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina.

Amon disse que a Qualcomm já trabalha com parceiros para o desenvolvimento de equipamentos para acesso FWA em 5G no Brasil (a Intelbras é justamente uma dessas parcerias) e acredita em uma redução do custo, mas lembra que existe uma conta que vai além do preço do equipamento. “O custo total do acesso em comparação com a fibra pode ser melhor a depender da situação e da agilidade”, diz ele, lembrando que não vê o 5G como um substituto da fibra, mas como uma complementação importante. “A gente projeta que 25% do acesso banda larga no mundo será FWA, por redes 5G”, diz o executivo.

Outro ponto que a Qualcomm expressou ao governo como fundamental com o 5G é a possibilidade de que empresas passem a desenvolver suas próprias redes de comunicação. “Hoje as empresas já têm seus sistemas próprios de PABS e WiFi, e o 5G é um caminho natural para aqueles setores que têm necessidades específicas de comunicação”, diz ele.

Nuvem e terminais

A Qualcomm também procurou passar a mensagem de que o 5G se inserirá em uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com os serviços em nuvem. “Falamos de metaverso (com o governo) e sobre dispositivos de realidade virtual e aumentada, que vão demandar mais banda larga e uma mudança no tipo de dispositivos, com mais processamento em nuvem”.

A Qualcomm acredita que os dispositivos pessoais para além do smartphone estarão cada vez mais conectados à rede móvel e a convergência de serviços será maior. “O PC é hoje uma ferramenta de comunicação, que as pessoas usam para fazer reuniões e conferências. E cada vez mais veremos esses equipamentos se assemelharem a um smartphone nos seus componentes”.

Para Cristiano Amon, a atual falta de componentes para a indústria eletroeletrônica é um fator de atenção, mas a Qualcomm espera estar com a capacidade de suprimento da demanda equilibrada já no começo do ano. “O que aconteceu é que com a pandemia, as empresas projetaram uma recessão muito forte e suspenderam os planos de ampliação na capacidade de produção de componentes. Mas o mundo viveu uma transformação digital acelerada e a demanda acabou crescendo na pandemia. Negociamos com as fábricas que produzem os nossos chips uma ampliação de capacidade e ainda no primeiro trimestre de 2022 isso deve estar resolvido da nossa parte, mas o mundo deve enfrentar essa escassez até 2023”, disse Amon.

Sem fábrica no Brasil

Sobre os planos de uma fábrica no Brasil, a Qualcomm diz que eles foram revistos. “O que aconteceu é que com a pandemia e com a evolução de 5G, passou a fazer menos sentido uma fábrica para encapsular chips 4G no Brasil, por isso estamos focando nossos esforços agora em parcerias de transferência tecnológica em WiFi, IoT, FWA e 5G”, explica Amon. Também pesaram contra as restrições a alguns incentivos originalmente previstos decorrente das negociações do Brasil na OMC.

Para ele, a possibilidade de o Brasil entrar na corrida global da indústria de semicondutores é possível, mas é necessário um volume muito grande de investimentos. Ele exemplifica com o Chip Act dos EUA, pelo qual o governo norte-americano está conduzindo um programa que prevê mais de US$ 50 bilhões nesse segmento. “Existe uma grande demanda por semicondutores no mundo e é possível participar desse jogo, talvez não com tecnologia de ponta, mas requer muito investimento”.

Para Cristiano Amon, as questões geopolíticas envolvendo as relações entre China e EUA não estão atrapalhando os planos da Qualcomm. “Nós somos um bom exemplo de como é possível haver um ambiente de parcerias privadas entre EUA e China e elas funcionam muito bem, com respeito à propriedade intelectual e aos royalties. Seguimos as limitações estabelecidas (pelo governo dos EUA) em relação à Huawei enquanto elas não mudarem”.

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