Noruega e Rússia testam comercialmente LTE em 450 MHz

O LTE em 450 MHz ainda está em compasso de espera no Brasil. Apesar da padronização da faixa para a tecnologia de 4G no 3GPP, as operadoras preferiram fazer uso da possibilidade prevista no leilão do 4G para utilização de outras frequências para cumprimento de metas de cobertura para áreas rurais na primeira etapa das obrigações. Apenas a TIM afirmou publicamente que usará a faixa pontualmente em algumas localidades que não conseguirá atender com 850 MHz, mas isso nem de longe justifica dar escala a fornecedores. Já existem CPEs fixas para banda larga que permite também oferta de telefonia e Wi-Fi prontas para comercialização, da Huawei e da brasileira WxBR, mas os demais fornecedores ainda esperam uma sinalização de demanda das operadoras para considerar suas produções.

Enquanto isso, na do outro lado do Atlântico, o futuro do LTE em 450 MHz parece mais promissor. Na Noruega e na Rússia, prestadoras que operam atualmente com CDMA na faixa estão próximas do lançamento comercial de redes LTE na frequência. "Elas já encomendaram equipamentos e estão realizando testes para a migração do CDMA para o LTE", revela o CTO da Huawei no Brasil, José Augusto de Oliveira Neto. A WxBR participará também dos testes na Noruega, segundo informações do seu presidente, Samuel Lauretti.

Uma adoção comercial num país da dimensão da Rússia pode ser exatamente do que o LTE em 450 MHz precisa para ganhar impulso e decolar também por aqui. Tanto é que o Ministério das Comunicações está organizando uma comitiva para visitar a operação russa.

"Estamos organizando uma ida nossa para a Rússia pra ver como o LTE em 450 MHz está funcionando comercialmente", conta o diretor do departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, José Gustavo Gontijo.

América Latina

Alguns países da América Latina já demonstraram interesse no uso do LTE na faixa de 450 MHz, mas enquanto isso não decolar por aqui, dificilmente haverá uma definição na região. De acordo com Mario Castillo, da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) – que é parte das Nações Unidas – "a experiência do Brasil com LTE em 450 MHz é de extrema importância pois é o único país que tem escala e, se bem sucedido, beneficiará os demais países da região". Geraldine González, chefe do departamento de Política Regulatória e Estudos da Subtel – a agência reguladora do Chile – também demonstra cautela: "Estamos apenas estudando o 450 MHz, a economia de escala é importante e precisamos fazer um esforço como região". Diretor regional para as Américas da União Internacional de Telecomunicações, Bruno Ramos concorda e acredita que a conferência mundial de rádio da UIT para discutir a atribuição de novas faixas para a banda larga móvel em 2015 será uma boa oportunidade para promover o LTE em 450 MHz. "A participação de países em instituições multilateriais "leva à integração regional e ao estabelecimento de uma massa e ambiente de desenvolvimento dessas aplicações", avalia Ramos.

Incentivos

Dois fatores poderão ajudar o LTE em 450 MHz avançar aqui no Brasil. Huawei, que passou a fabricar seus próprios chipsets, já tem um chip comercial que combina LTE na frequência de 450 MHz com tecnologias de 2G e 3G em outras faixas para ser integrado em handsets móveis. "Está tudo pronto, esperamos apenas a demanda das operadoras para iniciar a fabricação", diz o CTO da fabricante, Oliveira Neto. Já a Qualcomm deu início aos testes de software e interoperabilidade e espera ter seu chipset pronto para comercialização a partir de fevereiro do ano que vem, de acordo com o diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares.

Além disso, o Minicom trabalha ainda na desoneração para os serviços em 450 MHz. "Com produtos comerciais, através do REPNBL (Regime Especial de Tributação da Banda Larga) desoneramos a construção dessa rede. Agora, estamos trabalhando na regulamentação para desoneração dos serviços de 450 MHz e, se um handset tiver a frequência, mesmo se for um terminal de múltiplas frequências, o serviço em 450 MHz será desonerado", conta Gontijo, do Minicom. Os executivos participaram nesta quinta, 24, de painel durante a Futurecom 2013, no Rio de Janeiro.

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